O Meu Útero
Dor durante a relação sexual

Dor durante a relação sexual pode ser sintoma de Endometriose

De entre os vários sintomas associados à presença de endometriose – que também pode ser assintomática – aquele sobre o qual me questionam mais vezes é a sensação de dor durante e/ou após o acto sexual (também chamada de dispareunia).

A resposta é sim, a dor ou o incómodo durante a relação pode ser um sintoma de endometriose.

Não significa que seja, mas pode ser.

A experiência da dor varia muito de pessoa para pessoa.

Não só temos sensibilidades diferentes à dor, como também sentimos os efeitos da doença de formas distintas.

Algumas pessoas com endometriose não sentem qualquer dor durante o sexo.

Sentiste dor, mas não sabes se é normal?

Bom, comecemos por referir que uma situação isolada de dor ligeira pode dever-se a inúmeros motivos que, à partida, não serão preocupantes.

O principal motivo que te deverá levar a procurar um médico é a presença recorrente de dor durante o sexo.

Mesmo que seja em grau reduzido, não é suposto sentir-se dor.

Não quer dizer que seja endometriose: podem ser muitas coisas, que devem conversadas com o médico ginecologista e para serem investigadas se assim se considerar necessário.

 

A minha experiência

Quando descobri que tenho o útero em retroversoflexão (um nome muito estranho para aquilo que se chama útero invertido em linguagem corriqueira), o meu ginecologista comentou que isso poderia, por vezes, causar-me algum incómodo durante a relação sexual.

De facto, eu sentia pontualmente algum incómodo, mas nada que me preocupasse.

Aos poucos, esse incómodo começou a tornar-se mais constante e mais desconfortável.

Descreveria este incómodo como um puxão – a sensação seria equiparável àquilo que sentiria se tivesse a pele da barriga muito seca e se a esticasse com as mãos.

É uma sensação súbita e instantânea. Diria que entre 0 e 10, para mim, a escala de dor seria um 1 ou, no máximo, 2.

É desagradável, mas não me traz particular sofrimento nem sequer é uma dor que perdura.

Em raríssimas situações já me apareceu dor logo após a relação e, neste caso, era uma dor pélvica generalizada.

Um ardor que se espraiava para as costas.

“Gases”, pensei eu.

Ler também: Endometriose: quando uma crise de gases me mandou para o hospital

Em ocasiões ainda mais raras, já senti cólicas menstruais após o orgasmo – não estando a menstruar – o que instintivamente associo à adenomiose. No entanto, não tomei nota da altura do ciclo em que isto aconteceu.

Quando comecei a questionar-me de que a minha dor durante o acto sexual podia dever-se à endometriose, fiz alguma pesquisa e os artigos informativos não me satisfaziam, porque mencionavam dor, mas não mencionavam o tipo de dor; o momento da dor; o grau da dor.

 

O que outras mulheres experienciam

Não realizei nenhum estudo científico a propósito, mas pedi a colaboração de algumas mulheres para partilharem comigo descrições sobre as dores que sentiam e perceber se existe alguma tendência.

Esta informação deverá servir apenas de referência, uma vez que obtive resposta de 11 mulheres apenas.

Pedi que partilhassem comigo:

  1. O tipo de dor que sentem;
  2. O grau de dor, de 0-10;
  3. Quando é que a dor surge (antes e/ou após o acto);
  4. Se acham que pode ter relação com o orgasmo.

 

1 – Tipo de dor

As dores referidas pelas mulheres que deram o seu testemunho eram, na maioria, descritas como um puxão, um beliscão, sensação de compressão ou uma pontada momentânea no útero.

Foi inclusivamente referido sangramento durante o acto sexual.

Algumas referiram dor no canal vaginal durante a penetração: em certos casos, essa dor é apenas inicial, que não terá a ver com a falta de lubrificação.

 

2 – Intensidade da dor

Das 11 mulheres que me responderam, todas referiram dor acima de 6/10.

Quatro apontaram a dor como um 8/10.

Algumas admitiram por vezes sentir 10.

Quando intenso, no geral, o grau de dor pode ser variável (tanto pode ser um 6/10 como um 10/10), muitas vezes colocando fim ao acto sexual.

 

3 – Quando é que a dor surge

Para a maioria destas mulheres, a dor surge no momento da relação e não se estende após o coito. No entanto, uma mulher referiu sentir tanta dor após, que lhe custa andar. Outra, mencionou apenas a sensação de cólicas.

 

4 – Tem relação com o orgasmo?

Já tinha lido vários testemunhos de mulheres que se queixavam de cólicas após o orgasmo. Desta vez, nenhuma das que respondeu me referiu isso.

Ou seja, nenhuma achava que teria alguma relação com o orgasmo.

 

Como dar a volta a estas dores?

De todos os sintomas chatos da endometriose, diria que este é o mais perverso. Já não basta sentirmos, em alguns casos, dores numa base diária, como também temos de lidar com elas num momento que deveria ser unicamente prazeroso.

Por isso mesmo, muitas mulheres confessam sentir medo de ter relações sexuais com o/a parceiro(a).

Não existe uma fórmula mágica para fazer estas dores desaparecerem. Pelo que li, elas acontecem devido à localização das aderências (algo que me esqueci de considerar para esta pequena análise).

As aderências são tecido semelhante ao do endométrio e o que acontece, provavelmente, é que estes pedaços de tecido são pressionados e “esticados”, provocando a tal dor que parece um puxão.

Não deve ser menosprezada a opção de adoptar um estilo de vida saudável (fazer uma dieta anti-inflamatória prescrita por um profissional de saúde, realizar exercício físico regular e, eventualmente, fazer suplementação) porque pode ajudar com este e outros sintomas.

Em termos da terapêutica hormonal, pelo que pesquisei, pode ajudar a silenciar este sintoma mas pode também provocar maior secura vaginal e falta de libido.

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