O Meu Útero Blog
Dores menstruais ao correr

Sentia dores menstruais ao correr. Serei a única?

Nunca fui muito de fazer desporto mas, a partir de 2013, comecei a dar uma volta à minha vida em termos de actividade física. Comecei a ir ao ginásio entre três a quatro vezes por semana e, um ano depois, comecei a correr.

Até então, eu achava que correr era uma seca. Nas aulas de educação física, eu era sempre aquela pessoa que arrastava os pés enquanto esperava que os cinco minutos de corrida (que mais pareciam cinco horas) à volta do campo acabassem.

Eu só corria quando tinha de apanhar o autocarro e detestava. Abominava. Era desconfortável, punha-me vermelha, a suar, a arfar, e eu não percebia como é que as pessoas podiam gostar tanto de tamanha tortura.

Quando, por volta dos 20 anos, comecei a correr, já me tinha despedido da mentalidade sedentária que por tantos anos me tinha acompanhado – ia ao ginásio três vezes por semana, comia muito melhor e sentia no corpo a diferença que faz adoptar hábitos saudáveis.

Esse período em que corri acabou por tornar-se um período muito leve e feliz na minha vida. Tinha tempo porque ainda estava na Faculdade e aprendi a gostar de correr.

Geralmente corria com a minha amiga Joana (que, entretanto, desenvolveu um projecto extraordinário que se chama Please Consider e que podem conhecer aqui).

Acho lindo que os nossos primeiros passos numa vida mais saudável e mais próxima de nós próprias tenham sido um pouco lado a lado.

Cada novo dia de corrida significava aguentar mais um minuto e conseguir mais velocidade e resistência.

Se corresse de manhã, ao fim do dia já estava com vontade de correr de novo. Se só tivesse 15 minutos antes de jantar, ia na mesma.

Em termos físicos e psicológicos, correr trouxe-me muito bem-estar e pareceu abrir-me a porta para uma nova vida, para uma nova Catarina.

 

Até que começaram as dores menstruais

Entretanto, a vida aconteceu, a Joana arranjou um trabalho que lhe ocupava muito tempo e comecei a correr cada vez mais vezes sozinha. Naquela época, tomava a pílula há cerca de três ou quatro anos (e quase a deixá-la) e começava já a sentir algumas cólicas no primeiro dia do período (esta foi, aliás, uma das razões pelas quais deixei a pílula).

A certa altura comecei a notar que, depois de estar a correr por algum tempo, começava a sentir cólicas menstruais que se intensificavam depois de parar de correr. Isto acontecia-me fora da altura da menstruação.

Começou por ser algo pontual e foi-se tornando mais frequente e surgindo cada vez mais cedo durante a corrida.

Desmoralizada, pesquisei sobre isto. Estaria com falta de alguma vitamina? Será que havia mais gente a queixar-se do mesmo? Talvez, mas não encontrei nada.

 

Artigo: Endometriose e adenomiose: em busca de um diagnóstico

 

Aos poucos, fui deixando de correr. Fui ao meu médico ginecologista fazer os exames de rotina e expliquei-lhe o que se passava.

Os meus exames incluíam apenas o exame de toque, palpação mamária e, às vezes, o Papanicolau. Não foi identificado nada de estranho.

Suspeitando que se tratava de algo muscular que não teria relação com o meu útero, o meu médico receitou-me suplementos de magnésio.

Não serviu de nada. Então, fui correndo cada vez menores distâncias e cada vez menos vezes.

Até reparar que tinha desistido.

 

Mas nem tudo está perdido

A minha experiência enquanto corredora foi breve mas feliz. Corri na mini-maratona de Lisboa e tudo! Num destes dias, encontrei o meu diário de 2014, que me lembrou que o único impedimento da corrida foi sentir a perna presa, por sentir pressão no nervo ciático. Não doía, mas era chato. Estava constantemente a parar para alongar a perna.

Achei isso muito estranho, estragou-me um bocado o momento, mas não me preocupei. Na verdade, só enquanto lia o diário é que, de repente, fiz a associação: essa sensação de perna presa era a endometriose já a manifestar-se.

 

Também podes ter interesse em ler isto: Ressonância magnética para detectar a endometriose: a minha experiência

 

É claro que fiquei triste por ter deixado de correr, mas convenhamos – passei 20 anos da minha vida sem correr, também não é grave não voltar a correr. E, lá no fundo, acredito que mais cedo ou mais tarde vou recuperar a confiança para voltar.

Até descobrir uma forma de não sentir estas dores, explorei outras modalidades e descobri novas paixões: levantar pesos, fazer snowboard e, mais recentemente, o Yoga.

Na verdade, é tudo uma questão de perspectiva.

 

Ler também: Quando só tu podes ser responsável pelo teu empoderamento

 

 

Será que esta cólica menstrual pode ser um sintoma de adenomiose e/ou endometriose?

Poder, pode. Se é, não consigo garantir. Tanto quanto sei, se for um sintoma, é pouco comum.

Visto que são cólicas que emanam do útero, a minha teoria é que as aderências de adenomiose inflamam como reacção ao aumento da circulação sanguínea no momento da corrida.

O impacto da corrida não deve ajudar. Com bicicleta, por exemplo, não sinto tanto estas cólicas. Mas na aula de Body Attack (que eu tanto adoro), sinto um pouco.

Desde que descobri que tenho esta(s) doença(s) (a adenomiose, no fundo, é um tipo de endometriose) várias peças de um puzzle começaram a juntar-se e decidi recorrer ao tratamento natural, sempre sob orientação médica, para minimizar os meus sintomas, que fui coleccionando ao longo dos anos.

Até agora, tenho sentido uma melhoria imensa: em termos das cólicas menstruais que sentia e de outras dores crónicas que, agora, são praticamente inexistentes.

O próximo passo é voltar às corridas!

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