O Meu Útero Blog

Endometriose e adenomiose: em busca de um diagnóstico

Conseguir um diagnóstico não foi tarefa fácil. Pelas minhas contas, desde que desconfiei de que alguma coisa não estava bem até ouvir dizerem-me que tenho adenomiose e endometriose passaram quatro anos. E 14 anos de dores menstruais fortes.

As minhas suspeitas iniciais

Já tinha receado, no passado, poder a vir desenvolver endometriose e este foi um fantasma que voltou a pairar na minha cabeça desde que deixei de tomar a pílula.

Talvez não fosse esta doença o motivo das minhas dores menstruais. Aliás, sempre que começamos uma conversa com alguém – sobretudo com um médico! – com “eu vi na internet que…” a reacção natural é revirarem os olhos e fazerem um sorriso condescendente. Coitadinha… viu na internet…

O meu médico fez-me os exames rotineiros e tranquilizou-me: se eu tivesse endometriose, seria num estágio ainda indetectável. Deveria afastar estes medos da minha cabeça. Eu era perfeitamente saudável.

Não o condeno. Em Outubro de 2015 tinha feito uma ecografia transvaginal para verificar se tinha Síndrome dos Ovários Micropoliquísticos (porque não estava a tomar a pílula e estava há oito meses sem ter menstruação) e, para além de ter confirmado essa suspeita, nada mais houve a apontar.

Nessa altura fiz mais uma consulta de check up com o meu ginecologista, que me tranquilizou: se não houve nada suspeito na ecografia e se o exame de toque também não causava dor, não podíamos concluir se havia ou não endometriose ou qualquer outro tipo de problema. E a conversa ficou por aí.

Mas conhecia de perto um caso de endometriose (cuja descoberta tinha sido despoletada pela pesquisa na internet) e, fazendo também eu as minhas pesquisas, comecei a comentar com diferentes pessoas que suspeitava que podia também eu ser portadora desta doença. Percebi também que há mulheres que, apesar de sofrerem de endometriose, não sentem dor no exame de toque.

Uma das coisas que tornam esta doença tão perversa é que obter um diagnóstico pode ser extremamente difícil. Não só pela escassa informação e consciencialização que existe, mas também porque podemos passar por vários exames sem conseguirmos ter a certeza de nada.

Confesso que fiquei algo tranquilizada com o feedback do meu médico. No entanto, o tempo foi passando e o bichinho continuava atrás da orelha.

No Verão de 2017 tudo começou a mudar

O que acelerou o meu processo foi o surgimento uma dor lombar que me atacou no início do Verão praticamente do nada e que foi crescendo e crescendo e crescendo.

Baixar-me, sentar-me e subir escadas passaram a ser movimentos bastante dolorosos. Todos-os-dias. Confiante de que a dor acabaria por passar, deixei-me estar assim por um par de semanas.

Houve um dia que a dor atingiu o seu ponto máximo. Era tão forte que se espraiava por toda a minha zona abdominal e eu sentia que me afectava intestinos e bexiga. Comecei até a ter uma sensação de início de infecção urinária.

Decidi marcar consulta com o meu osteopata (que é também fisioterapeuta) porque acreditava tratar-se de uma lesão mais complicada. Depois de duas consultas, as dores mantinham-se.

Por “sorte”, tinha já marcada uma consulta para a minha Médica de Família e aproveitei para lhe pedir uma prescrição para uma nova ecografia. Falei-lhe do meu medo de ter endometriose. Expliquei-lhe os meus sintomas.

“Não me parece que seja. Podíamos fazer uma colonoscopia, mas não me parece que seja caso para tanto. Há-de ser talvez um parasita.”

Por isso, para além dos exames de sangue, prescreveu-me vários exames de fezes. É claro que não acusaram nada.

Antes de decidir onde é que me dirigiria para fazer a ecografia, encontrei, por sorte, a página de Facebook da Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose. Eu nem sabia que existia uma associação!

Finalmente comecei a ser ouvida

Entrar em contacto com a associação e, mais concretamente, com a presidente, Susana Fonseca (podem ver o testemunho dela aqui), foi como encontrar finalmente um braço que me ajudava a levantar depois de tantos anos de tropeções e quedas invisíveis aos olhos de toda a gente.

E, de repente, tudo se desbloqueou. Em Setembro deste ano descobri, através de uma ecografia transvaginal, que tenho adenomiose. Menos de um mês depois foi-me diagnosticada endometriose através do exame de toque.

Finalmente, posso respirar de alívio. Mas agora há toda uma nova etapa.

Não faz mal. Agora já não me sinto sozinha.

 

 

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