O Meu Útero
Perigos do uso de tampão

Os assustadores perigos do uso de tampão

Eu já sabia que o tampão apresentava vários riscos para a saúde (foi um dos motivos que me levou a deixar de o usar). Mas recentemente vi um documentário da RTP sobre os efeitos nocivos do tampão para a saúde e fiquei arrepiada.

Tenho de escrever um artigo sobre isto, pensei.

E aqui está ele.

 

Cada vez mais se estuda a relação entre os químicos que, voluntária ou involuntariamente, colocamos no nosso corpo e as suas repercussões a nível da saúde.

Também eu tenho vindo a estudar por mim mesma o perigo das substâncias que se intitulam de disruptores endócrinos, ou seja, químicos que, uma vez consumidos, interferem no normal funcionamento das nossas hormonas e agridem o nosso organismo, provocando supostamente disfunções como a endometriose, a adenomiose e os ovários poliquísticos, por exemplo.

Esses químicos estão presentes em inúmeros produtos: desde aquilo que comemos (pesticidas nos vegetais, componentes de alimentos processados, entre outros) até aos produtos de higiene.

Um desses produtos é o tampão.

[Artigo: A TPM, a predominância de estrogénio e os hábitos saudáveis]

 

Os assustadores perigos do tampão

Infelizmente, o tampão continua a ser promovido como um maravilhoso facilitador. Para mim, isso apresenta inúmeros problemas – a inegável insistência da sociedade em olhar a menstruação como algo nojento, vergonhoso e indesejável, passando pelo catastrófico impacto ambiental.

A verdade é que os inconvenientes associados ao tampão não se ficam por aí.

As marcas de tampões não apresentam a listagem de ingredientes. Isso, por si só, já é desconfortável para quem o utiliza várias vezes dentro do corpo numa base mensal.

Para além do perigo da Síndrome do Choque Tóxico (cujo número de casos será provavelmente superior àquele que é publicado), um estudo de 2016 feito a seis marcas de tampões diferentes concluiu que há entre 20 a 30 compostos químicos potencialmente prejudiciais ao nosso organismo.

Entre essas dezenas de químicos encontram-se dois em específico, comprovadamente prejudiciais à nossa saúde: a dioxina e os ftalatos.

 

[Ler também: O meu problema com a pílula]

A dioxina

A dioxina resulta do processo de branqueamento da celulose que integra a composição dos tampões. É, segundo a Organização Mundial de Saúde, um dos dez compostos mais perigosos do mundo para a saúde humana: apresenta perigos para o sistema endócrino, imunitário e é um carcinogénico.

Embora não se consiga estabelecer exactamente a relação entre a dioxina e a endometriose, um estudo recente concluiu que as mulheres com endometriose têm actividades de dioxina no sangue muito superior a mulheres sem presença de endometriose.

 

Os ftalatos

Os ftalatos são disruptores endócrinos carcinogénicos. Estão proibidos na União Europeia mas, curiosamente, foram encontrados nos tampões analisados.

Quanto à relação entre ftalatos e fertilidade, constou-se que uma maior presença de ftalatos na urina de mulheres estava relacionada com uma maior probabilidade de abortar.

 

[Endometriose e infertilidade: o que é que se sabe?]

 

O que é que isto significa, afinal?

A mucosa vaginal é extremamente permeável, o que significa que absorve todos estes químicos e permite que estes entrem na nossa corrente sanguínea, tendo repercussões altamente prejudiciais ao organismo a longo prazo.

A indústria por detrás destes produtos é muito poderosa e não é do seu interesse permitir que se fale mais e mais sobre estas matérias.

No entanto, informação é a chave e felizmente existem alternativas ao tampão, como o copo menstrual ou os pensos higiénicos reutilizáveis.

Esta é uma das formas de contornar a exposição a disruptores endócrinos – e não é só para quem tem endometriose.

Todos deveriam ter atenção a estas substâncias nocivas como forma de prevenção de doenças.

 

Reduzir a exposição aos disruptores endócrinos como forma de atenuar os sintomas da endometriose

A endometriose trata-se de uma doença crónica que pode ser muito dolorosa, cujo motivo do aparecimento ninguém sabe. E ainda ninguém sabe como é que se cura ou previne esta doença.

Um dos motivos para esta falha de conhecimento, no meu ponto de vista, é o facto de a pílula mascarar os sintomas.

Ao primeiro sintoma de endometriose, os ginecologistas, sem grandes delongas, prescrevem a pílula. Assim, varre-se um problema para debaixo do tapete, sem se prestar verdadeiramente atenção ao que pode estar a causar os sintomas, e sem se criar necessidade de se estudar mais aprofundadamente esta epidemia que pode comprometer a qualidade de vida e a fertilidade.

Felizmente, profissionais de saúde por todo o mundo começam a abrir os olhos para meios de redução de sintomas alternativos à pílula. E nesse trabalho que tem tido cada vez mais atenção, uma coisa é certa: há que reduzir a exposição aos disruptores endócrinos.

Limitar a exposição a disruptores endócrinos pode ter um efeito muito positivo no controlo dos sintomas da endometriose.

Já escrevi sobre tudo aquilo que venho a fazer desde Novembro (altura em que fui diagnosticada) para atenuar os sintomas da doença sem ter de tomar a pílula contraceptiva e posso dizer que, até agora, tenho conseguido resultados incríveis (menstruação sem dores e redução de sintomas crónicos, como a dor lombar) .

Há muitas alterações a fazer-se para se conseguir alcançar um estilo de vida o mais isento possível de químicos.

Deixar de usar tampão, optando por exemplo pelo copo menstrual, pode ser o primeiro passo.

 


Se quiserem saber mais sobre o tema, vejam este documentário, a partir do qual escrevi este artigo.

2 comments

    1. Olá Fernanda, obrigada pelo comentário! Sou só uma aqui deste lado 🙂 mas o facto de pensares que somos mais já me deixa lisonjeada. Beijos

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