O Meu Útero Blog
Endometriose e dor lombar

Endometriose, adenomiose e dor lombar

Demorei para descobrir, mas dor lombar é um sintoma de endometriose e/ou adenomiose.

Se soubesse que era um sintoma, teria poupado tempo e dinheiro à procura de um diagnóstico.

Partilho convosco o processo desde que comecei a ter essa dor, como é que ela evoluiu e o que é que eu fiz para aliviar.

Antes de me saber que tinha endometriose e adenomiose, queixava-me de dores frequentemente. Percebi que as dores que sentia eram crónicas, sobretudo a dor lombar que insistia em não me deixar descansada.

Eu tinha deixado a pílula em Setembro de 2016, depois de muitos anos praticamente ininterruptos a tomá-la. E foi a partir daí que, muito esporadicamente, fui começando a sentir sintomas.

Comecei a sentir as dores lombares algures em Maio de 2017, nas aulas de pesos. Achei muito estranho porque, modéstia à parte, eu sabia que tinha boa técnica e já fazia este exercício há anos. A dor era tão miudinha que era mais um incómodo, que permanecia por um dia ou dois.

Entretanto, em Agosto fiz uma viagem de carro pela Europa com os meus amigos por duas semanas. O incómodo na lombar mantinha-se, mas nada que me impedisse algum movimento. E era natural, pensava eu. Uma viagem destas é exigente com o nosso corpo.

No final da viagem comecei a sentir umas agulhadas chatinhas na zona da bexiga e isso assustou-me. Já há muitos anos que receava ter endometriose, mas os médicos achavam que não fazia sentido. Pesquisei na internet pelos sintomas da doença, e ninguém falava deste em específico.

Na semana logo após o meu regresso, retornei às aulas de pesos. Desta vez, foi um pesadelo. Os exercícios custavam-me tanto na lombar, que fui tirando os pesos da barra, um a um, até deixar só o mínimo possível.

Desde que a aula acabou até que saí do ginásio, a dor piorou drasticamente. Nesse dia ia jantar em casa dos meus pais com a família e tive de me arrastar colina acima porque não conseguia suportar o peso das pernas, sequer.

O mais estranho é que esta dor atacou toda a minha zona abdominal. Comecei a sentir calafrios e ardor na uretra, sintomas típicos de quem está a desenvolver uma infecção urinária. Sentia tonturas. Sentia dor nos intestinos, como se fossem gases de ácido sulfúrico.

Ler também: quando uma crise de gases me mandou para o hospital

 

Eu sabia que não era uma simples dor de costas e comecei a desesperar porque não sabia o que fazer

Não queria partir logo para o ibuprofeno, que andava a tomar numa base mensal devido às cólicas menstruais. No dia seguinte comprei aquelas bandas anti-inflamatórias na farmácia e comecei a usar todos os dias. Não adiantou.

Vestir as calças ou calçar os sapatos causava-me dor. Aproximar-me do espelho para me maquilhar causava-me dor. Colocar a roupa na máquina de lavar causava-me dor. Lavar a loiça causava-me dor. “Bom”, pensei eu “Parece que vamos ter de fazer uma pausa no ginásio”.

Acreditando tratar-se de algum tipo de lesão, fui ao osteopata tratar isto. O meu osteopata chama-se João Diogo e é-me tão querido que nos tornámos amigos.

Se ele não é mágico, é quase, porque trata sempre tudo. Por isso, é claro que ele iria tratar disto também. Se não fosse à primeira, seria à segunda. Ou à terceira.

Foi ele que me introduziu à PsicoNeuroImunologia  (PNI) e, por isso, ajudou-me a regular a minha menstruação sem ter de tomar a pílula (eu tenho ovários poliquísticos e já fiquei por oito meses sem menstruar). Foi também esta a abordagem médica a que recorri para tratar a endometriose.

Como sempre, tive um enorme alívio da primeira vez que lá fui tratar a dor lombar. No dia seguinte, acordei cheia de dores novamente, o que me valeu uma segunda ida. Desta vez estava pior. “Isso está mau…” confessou ele, depois de não sei quantas manobras osteopáticas estranhas.

Comecei a ficar verdadeiramente assustada.

Creio que o processo é parecido entre todas as mulheres com endometriose: temos um sintoma aqui, outro ali, e levamos algum tempo até juntarmos as peças do puzzle e percebermos que estão relacionadas.

A minha prima advertiu-me: “Catarina, essa dor lombar não é bom sinal. Foi uma dor lombar assim que me levou ao diagnóstico da endometriose.”

 

Como é que consegui contornar a dor lombar sem recorrer a medicação ou anticoncepcionais?

Ok, antes de mais nada: tenho todo o prazer em partilhar convosco o meu processo mas lembrem-se que na endometriose e na adenomiose cada caso é um caso, desde os sintomas que se sentem até à terapêutica que os alivia.

Isso significa que não posso garantir que o que funcionou comigo funcionará convosco. Terão de experimentar vocês mesmxs, preferencialmente sob orientação médica (terei o maior gosto em conhecer o vosso feedback!).

Ainda assim, é possível explorar alternativas aos anticoncepcionais e os riscos que se correm ao fazê-lo são muito reduzidos (o pior que pode acontecer é… simplesmente não acontecer nada!).

Procurei e encontrei uma médica cuja abordagem é o mais natural possível. Este é o tratamento natural que faço.

Estou a falar-vos de uma médica ginecologista que defende que, sendo os sintomas da endometriose potenciados por inflamação, devemos primeiramente reduzi-la através de alimentação, suplementação e exercício.

Conheci-a numa conferência sobre endometriose promovida pelo IEPNI, em Madrid, e gostei muito do seu ponto de vista.

 

Alimentação, suplementação e exercício

A alimentação a fazer, não é qualquer uma. É a dieta anti-inflamatória.

E não é nada fácil. Não pensem que é comer queijo fresco, frango e arroz integral a cada duas horas (aliás, lamento desapontar mas nenhum destes alimentos é recomendado consumir neste plano).

Também não é qualquer suplementação. Irá depender de cada caso e deverá ser adaptada ao longo do tratamento.

E, quanto ao exercício, será aquele que está ao vosso alcance fazer. Decidi começar pelo Yoga. Dois meses depois, consegui arriscar e voltar aos pesos.

Levo muito a sério o plano de tratamento que a minha médica me passou e, provavelmente devido ao desespero causado pelas dores, sou normalmente muito rígida com as escolhas que faço em relação ao que como.

Tem sido um dia de cada vez, sempre na incerteza se as dores irão ou não voltar, mas tenho conseguido manter-me bem. Verdadeiramente bem. Aos poucos, a dor lombar foi desaparecendo e as dores menstruais foram diminuindo. Por isso, por agora, não podia estar mais satisfeita.

Quanto à suplementação: é claro que o que deverão tomar dependerá do plano que o profissional de saúde que vos segue, mas sugiro vivamente experimentarem incluir curcuma em todas as refeições (ou, na impossibilidade de o fazerem, de tomarem cápsulas de curcuma numa base diária enquanto sentirem dores), porque comigo o efeito foi notório. Outro suplemento miraculoso que tomo e sobre o qual tenho lido bastantes estudos é a melatonina.

A melatonina é para mim uma dádiva dos deuses, escrevi mais detalhadamente sobre ela aqui.

Caso tenham interesse, posso enviar-vos os artigos científicos que já consultei. Basta que me enviem mensagem ou deixem comentário.

 

 

11 comments

  1. Olá, te achri no YouTube e agora aqui, vou resumir minha história, eu sinda não tenho o diagnóstico da endometriose, mas tenho a certeza que tenho, me vi em vc enquanto lia a sua história, ja estou sentindo dores lombares tem 7 meses, ja fui em especialista em neurocirurgia, médico de medicina física, ortopedista da coluna, médica de família, fiz tac, reçonancia magnética da coluna, rx do sacro, e não tenho nada na coluna, fiz fisioterapia e acumputura para tratar contratura muscular segundo esses especialistas, mas nunca fiquei convencida, então marquei com meu ginecologista e lhe expliquei tudo que vinha sentindo, ele disse pode ser que vc tenha endrometriose Marquei para fazer uma ecografia com sonda no dia 12/03 com o Dr. Pedro Condeça na clinica das amoreira, estou muito anciosa para que chegue logo. Vou seguir seu conselho vou comprar curcuma em cápsulas eu tenho em pó mas é horrível, e a melatonina eu não encontro em portugal de 5 mg dizem que é proibido, ando com problemas para dor dormir também, eu sou portuguesa luso brasileira, se vc precisar de algum chá me diga eu posso tentar com alguém para trazer, tenho sempre amigos indo para o Brasil, eu pedi a um amigo o chá cancela de velho, tenho aqui em casa se vc quiser te dou um pouco, beijinhos e as melhoras

    1. Olá Roseli, obrigada pelo comentário e pela partilha da tua experiência. No meu caso, por exemplo, a ecografia não detectou endometriose, mas detectou adenomiose. Para descobrir a endometriose, tive de fazer uma ressonância magnética com uma equipa especialista na doença.
      Que pena que não gostes de curcuma em pó. Eu adoro. Quanto à melatonina, não se comercializa de 5mg. Eu tomo vários comprimidos para perfazer 10mg. É um suplemento muito poderoso para ajudar a dormir, mas caso estejas a fazer alguma medicação confirma com o teu médico se há problema em tomares.
      Eu também sou luso-brasileira! Obrigada pela disponibilidade!
      Espero que os exames corram todos bem.
      Beijinhos e força para ti!

    1. Olá Roberta! Lamento que tenhas tido necessidade de te submeter a duas cirurgias num tão curto espaço de tempo… Mas agradeço o teu comentário. Ainda bem que o trabalho que desenvolvo te é útil. Sim, quero focar-me em preparar artigos sobre alimentação. Ainda preciso de ler e estudar mais, mas esses artigos irão chegar! No instagram vou partilhando mais sobre aquilo que faço diariamente, pode ser que já te sirva de referência em termos da alimentação. Um grande beijo e as melhoras!

  2. Boa tarde.. gostei muito do seu texo e gostaria doa artigos.. Teno sentido mta dor na lombar.. descobri que estou com adenomise.. att

  3. Olá Catarina. Antes de mais muito obrigada pelo teu testemunho e tão preciosa ajuda!

    Queria que me recomendasses ginecologistas especialistas em endometriose para despiste de sintomas que tenho e que foram desvalorizados. Sou enfermeira e trabalho nos Açores. Preciso de ajuda na recomendação de especialistas para marcar consulta e planear a ida ao continente devidamente. Agradeço toda e qualquer ajuda.

    Beijinho.

    Ana Catarina

    1. Olá querida Ana Catarina! Obrigada pelas tuas palavras 🙂
      Manda um email à Associação, ninguém melhor do que elas para te encaminharem da melhor forma (e mais rápida também).

      O e-mail é: geral@mulherendo.pt

      Coragem e muita força neste processo <3

  4. Olá Catarina!
    Antes de mais, obrigada pelo teu blog! É uma grande ajuda na tentativa de limitar esta doença…
    Queria pedir que explicasses mais pormenorizadamente como fazes a suplementação com melatonina. Vi numa embalagem que nao se deve conduzir após a toma e que se deve parar a toma após 2 meses. Como fazes? Para quem conduz diariamente, como é o meu caso, não dá como evitar e ainda por cima trabalho por turnos que inclui períodos noturnos… alguma dica/orientação?
    Obrigada e um beijinho!

    1. Olá Joana 🙂 A melatonina dá sono e deve ser tomada imediatamente antes de ir dormir (por isso é que não se deve conduzir após). Não sei qual seria a melhor forma de tomares sendo que trabalhas por turnos, é algo que deverias ver com um profissional de saúde. Quanto a tomar apenas por dois meses, nunca me chegou essa informação. A médica que me recomendou o tratamento não fez qualquer referência a limite de toma. Faço esta suplementação diariamente antes de dormir desde Setembro passado. Mas não sou médica por isso, antes de optares por tomar, confirma isso com alguém que tenha autoridade para te orientar correctamente.

      Beijinhos!

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