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Endometriose: poderá surgir um exame ao sangue para detectar a doença

A endometriose é uma doença que afecta 10% das pessoas com útero pelo mundo todo. Apesar de grande parte destas pessoas sofrer de sintomas (como cólicas menstruais, crises de gases, infertilidade, períodos muito intensos ou dores durante a penetração), as queixas são geralmente ignoradas pela comunidade médica.

Há muito poucos estudos sobre a doença. É crónica, dolorosa e não existe um tratamento nem uma cura. O tratamento passa por silenciar os sintomas, conferindo maior qualidade de vida a quem desta sofre.

Assim que as queixas são ouvidas, um dos desafios é o diagnóstico. Exame de toque e exames de imagem (ecografia endovaginal ou ressonância magnética) muitas vezes não são suficientes para detectar as aderências de endometriose. O método mais eficaz é a laparoscopia, um exame invasivo durante o qual é perfurado o abdómen da pessoa para ser possível visualizar-se o seu interior.

No entanto, uma laparoscopia à pélvis não permite detectar-se endometriose que possa existir noutra qualquer parte do corpo. Por isso é urgente que se encontrem métodos alternativos para diagnóstico da doença.

 

Empresa garante teste ao sangue para diagnosticar endometriose, a ser lançado no mercado daqui a 10 meses

Pode ser que tenhamos boas notícias. A empresa MDNA assegura que será possível detectar-se endometriose em 90% dos casos, através de uma análise ao sangue e promete lançar o teste no mercado nos próximos 10 meses.

Este teste poderá encurtar o período de procura por um diagnóstico (que, de momento, se mantém entre os 8 e os 12 anos em média) e evitar que seja gasto dinheiro em vão em médicos e exames durante este período.

O teste custará cerca de 250£ no Reino Unido (cerca de 293€).

 

Talvez ainda seja demasiado cedo para celebrar

Embora possam ser boas notícias, talvez ainda seja demasiado cedo para celebrar. A organização não-governamental Endometriosis UK mantém o seu cepticismo quanto ao achado. Numa declaração sobre o tema, Emma Cox, CEO da organização, disse que são necessários estudos de maior amplitude para determinar a eficácia do teste.

Para além disso, alerta para o facto de esta notícia ser apenas uma falsa esperança para quem sofre, referindo que “mulheres com esta doença já têm de lidar com um fardo financeiro” e que “não é justo oferecer tratamento e diagnósticos pioneiros apenas a quem tem possibilidade de os pagar”.

De qualquer modo, caso se comprove a eficácia do teste, é possível que eventualmente se consiga que o NHS (serviço nacional de saúde do Reino Unido) comparticipe para a despesa.

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