O Meu Útero Blog
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Massagem Ayurvédica para as dores da Endometriose

Olá querid@s,

Como estão? Tudo bem por aí, neste sábado nublado? Espero que sim.

Hoje o dia amanheceu cheio de sol e, apesar de ser Sábado, levantei-me tão cedo quanto acordo durante a semana.

Isto porque, há cerca de duas ou três semanas, recebi um e-mail de um centro ayurvédico que a minha mãe me tinha recomendado em tempos (ela está muito mais por dentro destas coisas do que eu) com a informação de que tinham vagas para sessões de massagens em Fevereiro, supostamente a um preço mais apelativo.

Quando decidi embarcar numa aventura pelo tratamento natural da endometriose (se não sabes o que é endometriose, explico aqui), aprendi que há inúmeras terapias complementares que podem contribuir para um melhoramento dos sintomas: acupunctura, osteopatia, Yoga, Pilates (exercício físico no geral, se possível), naturopatia, medicina ortomolecular, reiki e massagens- de entre as quais massagens ayurvédicas.

Já tinha experimentado a massagem ayurvédica, mas não para procurar alívio das dores da endometriose, pelo que estava interessada em experimentar. Visto que estava a 1/4 do valor da minha consulta de osteopatia, e dado que tenho estado praticamente sem dores desde o início do ano, decidi cancelar a próxima sessão com o meu osteopata e marcar uma massagem em vez disso.

Calhou que menstruei ontem – sou muito irregular, pelo que não estava à espera – e passei a noite em relativa agonia. As dores não foram nada daquilo que eram antigamente, mas foram muito desconfortáveis e acordei ainda dorida. Além do mais, sentia as pernas latejarem de tal forma que doíam e parecia que iam explodir.

Fiquei a pensar se a massagem ajudaria nas dores pélvicas ou não. Supostamente sim mas, instintivamente, a última coisa que queria era que me tocassem na zona pélvica. Ao mesmo tempo, estava muito curiosa para me entregar à terapia manual Ayurvédica (mesmo que aflita de dores) e concluir por mim mesma se traria algum alívio.

O que é a abordagem da Ayurveda?

Ultimamente tenho andado muito curiosa sobre a abordagem da Medicina Ayurveda. Era um conceito que já me era familiar, mas este vídeo de um vlogger brasileiro chamado Caio (talvez ele não seja apenas vlogger, mas fiquei a conhecê-lo a partir daí) convenceu-me de que é um caminho interessante a explorar.

Digo isto não apenas em termos de tratamento da endometriose, mas também como um percurso viável de reconexão com o nosso corpo e entendimento de nós próprios.

Ayur+veda = vida+ciência

Trata-se de uma ciência milenar oriunda da Índia que, à semelhança da abordagem que eu sigo, entende o corpo como um todo e visa conectar o nosso emocional e o nosso físico. Através da alimentação e de diferentes terapêuticas (entre elas a massagem), a Ayurveda permite-nos alcançar um estilo de vida equilibrado e, nesse sentido, saudável.

Um ponto que me apela bastante nesta abordagem (assim como na abordagem da psiconeuroimunologia) é que uma doença é muito mais do que uma disfunção no ponto específico em que se manifesta, procurando actuar na origem de todo o problema, tanto a nível físico como emocional.

A Massagem Ayurvédica

Eu já tinha feito esta massagem uma vez, há três anos, naquele mesmo local, sem uma queixa específica que ali me levasse. Desta vez, esclareci que o meu propósito era aliviar as dores da endometriose e tive de explicar sucintamente ao Fernando (terapeuta que aplica as massagens) em que consiste a doença (sem problema, evangelizando as pessoas dia e noite!). Tive também de mencionar que estava a sentir dores naquele momento, pelo que não iria tolerar grandes pressões na minha zona lombar/abdominal.

Uma coisa que adoro na Ayurveda é que o óleo usado é sempre um óleo natural. Já estou tão habituada a apenas aplicar hidratantes exclusivamente naturais na minha pele, que a ideia de colocar outra coisa qualquer faz-me confusão. E a verdade é que, se estão a pensar em produtos caros de gente chique, não é preciso ser-se demasiado rebuscado neste ponto: azeite basta.

endometriose

O próprio odor neutro daquele azeite ajudou-me a sentir natureza por perto e, para mim, isso faz-me sentir em casa.

Começámos pelas costas e devo confessar que foi… desafiante. A pressão era, no geral, óptima, mas sempre que as mãos dele se aproximavam da minha zona lombar eu contraía-me toda. Tentava lutar contra isso, porque sabia que contrair-me só desajudava.

Se, por um lado, confiava que ele sabia que os movimentos que fazia eram os adequados, por outro questionava-me se deveria pedir que fosse mais gentil. Não pedi.

A dor não chegou nunca a tornar-se insuportável, mas espraiava-se para as minhas virilhas, coxas – o típico que eu sinto quando tenho dores menstruais. Tentei entendê-la como o meu útero a falar comigo. “Vamos deixá-lo fazer o seu trabalho”, disse-me,”Provavelmente vai correr tudo bem”. Braços e ombros, fantástico, nada a apontar. Em suma, relativamente à zona lombar, não houve motivo de queixa maior mas não posso dizer que tenha apreciado.

A melhor parte foi quando chegámos às pernas. Ainda estavam um pouco doridas e Q-U-E  A-L-Í-V-I-O meu deus do céu que eu não tenho palavras para tamanha felicidade.

A retenção de líquidos era tanta que quase que dava vontade de espetar uma agulha no gémeo e ver um rio de água a sair por ali!

O azeite aplicado para a massagem é morno/quente e o toque é generoso, intencional, nada de festinhas ao de leve. Em certos momentos, senti-o a aplicar pressão em determinados pontos específicos por alguns segundos. Estava doida para fazer perguntas sobre a Ayurveda, sobre os pontos em que ele me tocava, sobre o que o meu corpo lhe dizia… mas isso iria obviamente estragar o momento.

Foi daquelas sensações que são tão boas que, quando a cabeça começa a viajar e a pensar noutras coisas mais mundanas, uma pessoa faz um esforço consciente para voltar e para viver o momento apenas.

Finalmente, todo o corpo foi alvo de massagem, até o pescoço e as clavículas tiveram o seu momento. Apenas a barriga, que estava verdadeiramente maçada, talvez por esse motivo tenha acabado por receber apenas uma breve e leve massagem e, novamente, a tal pressão em dois pontos específicos.

Conclusão: continuei com dores menstruais, mas…

Adorei a massagem, até porque foi feita por uma pessoa que sabe o que faz. Não creio que tenha feito algo pelas minhas cólicas menstruais, que se estenderam pontualmente pelo resto do dia, mas trouxe-me um alívio extraordinário nas pernas e deixou-me tranquila, relaxada, confortada, toda mole e feliz para o resto do dia.

Quando me despedi do Fernando, disse-me que a minha retenção de líquidos estava um pouco crítica e recomendou-me beber mais líquidos, principalmente no dia da massagem.

“É sempre assim, nestes dias.” confessei-lhe. Sentia-o nas calças, sentia-o quando me mexia. Quero estar com as pernas para o alto o tempo todo. Era doloroso e tem melhorado bastante desde que adoptei a dieta anti-inflamatória.

De facto, tenho bebido muita água, até porque tenho tido muita sede. Ultimamente sinto muito mais sede quando menstruo. Mas noto que faço muito menos xixi. Por isso questiono-me se realmente deveria estar a beber tanta água, mas se o corpo pede, acredito que sim.

Volto no próximo Sábado, já sem dores menstruais (e, esperemos, sem dores de todo). Estou a apontar para fazer uma por mês.

É que os resultados serão muito provavelmente sentidos a médio-longo prazo, mas complementando com a alimentação, suplementação e exercício que estou a fazer creio que vai ser bastante positivo.

Para o pessoal de Lisboa que queira experimentar esta terapêutica a um valor justo, esta é a página de Facebook deles e este é o e-mail que deverão contactar se quiserem mais informações: fm.ayurvedica@gmail.com.

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