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tratamentos para endometriose

Porque é que os tratamentos para a endometriose falham

Desde que iniciei a minha jornada pelo mundo da endometriose, descobri muita informação nova. Visto que é uma doença muito complexa e muito individual, tudo o que eu possa aprender não basta. Para alívio de sintomas, o que resulta comigo não resulta contigo, e não faz mal. Existe todo um trabalho pessoal a ser feito, sendo também muito necessária a partilha de informação.

Uma “endoirmã” (cujo testemunho já aqui partilhei) partilhou comigo esta página de Facebook que abunda em papers redigidos por médicos e profissionais de saúde especializados em endometriose e adenomiose.

Achei o conteúdo super interessante, se bem que muitas vezes é mais direccionado para o público norte-americano. Visto que todos os artigos estão escritos em inglês, propus-me a traduzi-los para português.

A Nancy Petersen é uma enfermeira norte-americana com um currículo notável e um grande envolvimento com a endometriose desde os anos 80. Podem consultar aqui a sua biografia em inglês.

É uma das profissionais de saúde que mais contribui para o grupo e, por isso, contactei-a directamente, perguntando-lhe se se opunha a que traduzisse os seus artigos. E, para minha alegria, respondeu-me prontamente que não havia qualquer problema.

O texto que se segue agrega algumas informações relevantes da sua autoria, num ficheiro que partilhou na página de Facebook. Para consultarem os ficheiros originais, cliquem aqui (é necessária aprovação por parte dos administradores da página).

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Tradução do artigo de Nancy Petersen: Porque é que os tratamentos para a endometriose falham

É lamentável que médicos que se “especializam” em ginecologia saibam muito pouco sobre endometriose. A maior parte da literatura que lemos, ou que os médicos lêem, contém erros relativamente à natureza e ao tratamento da endometriose. É frequente a descrença de que a adenomiose pode ocorrer em mulheres muito jovens e, ainda assim, lidamos com dúzias de pais que têm de ajudar as filhas adolescentes que têm um diagnóstico confirmado de adenomiose.

O motivo pelo qual os médicos são desonestos sobre a forma como tratam a endometriose poderá ser porque acreditam que aquilo que lêem ou aquilo que fazem é suficiente, ou não acreditam que a doença seja assim tão dolorosa. […]

Também suspeito que muitos podem não querer admitir que a doença que encontram é bem mais complexa do que aquilo que esperavam. Vemos relatórios que confirmam que ainda existe doença quando tinha sido anteriormente dito às pacientes que os focos tinham sido removidos.

Em alguns casos os focos são deixados intencionalmente porque os cirurgiões acreditam que irão secar e desaparecer. Por alguma razão, quando os médicos não estão preparados, não encaminham as pacientes para médicos que estejam. Ainda assim, noutros casos, os médicos não se apercebem verdadeiramente de que a doença está presente.

Depois encontramos relatórios que nos quais os médicos afirmam que vão “limpar” o que restou dos focos com Lupron ou outro tipo de medicação supressora… o que não é possível, os medicamentos não tratam a endometriose. Verifica-se também que muitos médicos não são capazes de identificar a doença ou sequer removê-la, se por acaso a identificarem.

Se não existe competência para remover os focos, o mais sensato a fazer é deixá-los estar. Só este ano, já me foram reportadas, de forma privada mas confirmadas por outros cirurgiões, as seguintes situações: aortas e veias cavas perfuradas, ferimentos no intestino delgado e grosso, úteros, bexigas e diafragmas perfurados – resultados de tentativas de tratar uma doença, tentativas para as quais os cirurgiões nem sequer tinham preparação.

Por isso é que mais vale deixar a doença estar quando não se tem o treino adequado para operar. Trata-se de uma complexa e exigente intervenção cirúrgica numa doença que nada tem de simples. E até em doenças simples a incisão pode resultar em ferimentos, se não for feita de forma cuidadosa.

Creio que os médicos deveriam ser honestos e encaminhar as pacientes para locais onde a doença possa ser verdadeiramente tratada. Assim sendo, o problema aqui é que a indústria desencaminhou a ginecologia durante 100 anos com mitos e sem tirar proveito da ciência. Muito foi já recuperado, mas não amplamente reconhecido ou aprendido pela ginecologia moderna.

Por isso, a supremacia do mito mantém-se e é por causa dele que grupos como este se esforçam por trazer informação baseada em provas. Para que vocês possam fazer as melhores escolhas de tratamento.[…]

Educares-te a ti própria é a chave

A única forma de ultrapassares esta doença é educares-te sobre as falhas da indústria médica e assim aprenderes porque é que os tratamentos falham.[…]


Se achas que podes ter endometriose (conhece mais sobre a doença aqui) contacta a Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose através do geral@mulherendo.pt. Irão dar-te toda a informação que precisas quanto a contactos de médicos especialistas e responder-te-ão a qualquer dúvida que tenhas.

 

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