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Ressonância magnética para detectar endometriose: a minha experiência

No dia 27 de Outubro fiz uma ressonância magnética, que é uma das formas de detectar endometriose. O diagnóstico já me tinha sido feito no início do mês através de observação, mas nada como uma dupla confirmação, com muito mais informação.

A equipa com quem se realiza a ressonância é um aspecto muito importante a ter em conta para a realização deste exame na busca de sinais de endometriose.

Isto significa que se fizeram uma ressonância com médicos que mal ouviram falar da doença, as chances de obterem respostas concretas são muito baixas.

Sobretudo porque muitas vezes os médicos desconhecem que é importante a realização com preparo intestinal e contraste! Mas explico tudo mais abaixo.

Estava confiante de que os resultados poderiam ser-me enviados em formato digital. Nada disso. É necessário ir lá buscá-los.

Estava um pouco receosa com o exame, não sei bem porquê. Nem na altura sabia bem porquê. Quero é despachar isto para ter um diagnóstico preciso – tenho um certo fascínio por saber como é que funciona o meu corpo por dentro – mas os hospitais deixam-me nervosa. Aquelas cores, as batas e os cheiros dão-me logo uma sensação de mal-estar.

Se calhar é melhor ir-me habituando, pensei.

Apesar de não dominar os aspectos técnicos de uma ressonância magnética, vou partilhar convosco a minha experiência (que vale o que vale, porque cada mulher tem uma experiência diferente).

Artigo: Endometriose: Quando uma crise de gases me mandou para o hospital

Os preparativos

Estes últimos meses têm-me obrigado a lidar com o meu corpo de uma forma completamente diferente daquilo a que eu estava habituada. A preparação para fazer a ressonância magnética pélvica traz algumas surpresas para iniciantes. A indicação que me deram foi que deveria fazer um Enema Fleet na véspera e outro duas horas antes do exame (que é como quem diz, fazer um clister).

Depois, jejum de duas horas antes do exame. Uma hora antes da ressonância, tinha de esvaziar a bexiga e beber um ou dois copos de água, não podendo fazer xixi a partir dessa altura.

Fácil.

Lê também: Os 6 grandes mitos da Endometriose

O maldito Enema Fleet para o preparo intestinal

Quando fui comprar o Enema Fleet, a farmacêutica entregou-me uma embalagem um pouco pesada. Para confirmar, perguntei:

“Isto é para várias utilizações, certo?”

Ao que a farmacêutica me respondeu:

“Não, isto é apenas para uma aplicação”

Retirou o frasco de plástico da embalagem e fiquei pasmada a olhar para aquilo.

“Mas eu tenho de fazer duas vezes…”

“Então é melhor levar dois”

Meu Deus. Estava com fé que fosse algo do estilo Microlax, que não assusta ninguém. Aquele frasco impunha respeito. Bem, se assim tem de ser, vamos lá.

E assim foi. Não vou entrar em grande detalhe para não tornar isto num artigo de merda mas, apesar de não ter sido agradável, foi feito.

Não senti dores nem nada do tipo. Mas é desconfortável termos de inserir aquela quantidade toda de líquido assim. E, depois, o que sentimos é que comemos alguma coisa estragada (por isso não se afastem da casa-de-banho).

Entretanto tinha o telemóvel à mão a tocar Blink 182 (porquê?) e a colega de casa do lado de lá da porta, com quem trocava mensagens de desabafo sobre toda a experiência, e que se preparava para me acudir caso as coisas corressem mal.

Correu tudo bem. É um procedimento que imensa gente faz imensas vezes pela vida fora, se pensarmos bem nisso.

Descobre aqui a relação entre Endometriose, adenomiose e dor lombar

O momento do exame

Há um formulário a preencher antes de realizar a ressonância magnética e uma das questões era se eu tinha tatuagens, onde e há quanto tempo.

Fui logo pesquisar informação sobre ressonâncias magnéticas e tatuagens e comecei a entrar em pânico porque fiz uma há três meses.

Liguei até para o rapaz que me fez a tatuagem para tentar perceber os componentes da tinta.

A minha mãe aproveitou o momento para me relembrar da sua opinião sobre tatuagens “Pois, vocês põem-se a fazer essas coisas e não têm noção, uma tatuagem só traz problemas…”

Mas foi só falso alarme. Afinal só seria problemático se a tatuagem tivesse sido feita duas ou três semanas antes.

Tirei a roupa e vesti uma daquelas batas de hospital. Coloquei também uns chinelos daquele tecido que mais parece papel.

Houve três coisas importantes que não me explicaram de antemão sobre o exame:

  1. Não é suposto ir com bexiga demasiado cheia, mas também não pode estar vazia (por causa disso tiveram de me tirar da máquina para eu ir esvaziá-la um pouco);
  2. Enfiaram-me um cateter na veia para me administrarem Buscopan durante cinco minutos antes do exame para minimizar eventuais movimentos intestinais que poderiam interferir na captação da imagem;
  3. Introduziram-me um gel azul (contraste) com uma seringa de plástico, através da vagina, para facilitar também a leitura do exame.

Este gel não me causou qualquer desconforto, não senti nada. Mas há mulheres que admitem sentir alguma dor – em certos casos dizem ser mesmo insuportável. Por isso, depende de cada caso.

Há também quem faça esta ressonância com inserção anal do gel.

Depois de inserido o gel, deitamo-nos na maca que nos leva para dentro de um cilindro gigante (como na imagem). Deram-me uma bolinha vermelha para agarrar, de onde saía um fio: em caso de emergência, deveria apertá-la. Confiei que não aconteceria nada – e de facto não aconteceu.

A equipa deixou-me na sala por uns 40 minutos. Não podemos respirar muito intensamente – na verdade, devemos respirar o mínimo que conseguirmos para a imagem ser o mais perfeita possível.

A máquina é barulhenta mas o som é ritmado e eu quase adormeci durante o exame.

Uma vez terminado, podemos voltar à nossa vida. Apenas obtive os resultados mais tarde e não percebi muito do que lá dizia, quem sabe interpretá-los é o médico especialista.

Artigo: Porque é que a Endometriose é uma filha da p-

 

Ressonância magnética com contraste é o ideal para detectar a endometriose!

De qualquer maneira, realizar uma ressonância magnética pélvica para detectar endometriose sem preparo e sem gel de contraste pode comprometer o resultado do exame.

Ou seja, é necessário que se insira o gel de contraste na vagina para se aumentar as probabilidades de se chegar a um diagnóstico correcto.

Por isso é que muitas mulheres se sentem desencorajadas, porque os médicos, mal preparados, não lhes recomendam o preparo intestinal e a realização da ressonância com contraste.

“Eu achava que tinha endometriose, tenho imensos sintomas, mas a ressonância não acusou nada e o meu médico disse-me que estava tudo bem comigo.”

Fizeste com contraste? Não?

Então, para efeitos de detectar endometriose, os resultados dessa ressonância podem estar comprometidos.

O que podes fazer é marcar consulta com um especialista e pedir uma nova ressonância. Se tens motivos para achar que tens endometriose, se tens muitos sintomas associados à doença, mereces atenção e mereces apoio no diagnóstico e no tratamento.

Atenção que a endometriose, mesmo para especialistas, é muito difícil de identificar através de imagiologia. Ou seja, só se te abrirem é que conseguem realmente garantir onde estão as aderências todas.

Até lá, mesmo que a ressonância seja pouco clara, o teu médico deve basear-se no teu histórico pessoal e familiar e no teu quadro de sintomas para te ajudar a recuperar qualidade de vida.

Eu decidi escolher um tratamento natural, sem terapêutica hormonal, e tenho tido resultados maravilhosos a nível de redução dos sintomas.

Vou actualizando o meu instagram com os meus progressos e pequenas dicas, por isso aparece e deixa uma mensagem! 🙂

Artigo: Porque é que me exponho no insta e porque é que é urgente mudar

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