O Meu Útero Blog
endometriose

Acabei de passar três dias de cama com dores

Olá mundo, sou eu de novo. Regressei do mundo dos mortos – ou quase.

Segunda-feira foi um dia normal, como qualquer outro, mas à noite comecei a ter dores, as típicas dores da endometriose.

Como não tinha qualquer vontade de ver comida à frente, fui deitar-me cedo e acordei no dia seguinte a sentir alguma febre.

Oh, não… lá vamos nós outra vez.

Já vos tinha falado dos meus “episódios” da endometriose. Começam com desconforto abdominal, passam por tonturas, náuseas, suores e acabam em febre. Da primeira vez, fui para o hospital, onde não me souberam adiantar nada. Da segunda vez, tomei logo brufen. Da terceira, felizmente não cheguei a ter febre.

E a minha noção de bem-estar passa por saber que não estou a ter mais um episódio. Não há grande coisa que eu possa fazer quando estou nessa situação, a não ser tomar brufen – coisa que detesto fazer.

Por isso é que procuro a forma mais natural de prevenir que estes episódios se voltem a repetir.

Apesar de não ser um sintoma muito comum, já tenho lido que febre baixa na endometriose é algo que pode acontecer com algumas mulheres.

Todas as manhãs meço a minha temperatura para começar a perceber um padrão de temperaturas ao longo do meu ciclo. Normalmente a minha temperatura ronda os 35,3ºC e os 36ºC.

Na terça-feira acordei com 36,7ºC – o que, geralmente, não é de assustar mas visto que já me sentia febril e indisposta, essa temperatura apontava para um estado subfebril. Para além disso, sentia dores abdominais e lombares – ardor, inchaço, pequenas facadas nos rins.

endometriose
A minha melhor selfie do ano. Publiquei no meu insta para partilhar a minha alegria convosco.

A temperatura foi aumentando até aos 37,5ºC. Bebi muito chá e dormi, à espera que o episódio passasse e ao fim do dia sentia-me menos desconfortável, até consegui trabalhar a partir de casa, mas comecei a sentir dores de garganta.

Eu sou propensa para ter amigdalites e percebi que estava uma a caminho. Será que a endo puxou a amigdalite? Ou terá a amigdalite puxado a endo? Quem nasceu primeiro?

Foi a amigdalite que acordou a endo

É engraçado como a febre sobe assim que anoitece, não é? A minha disparou.

Bendita Maria-colega-de-casa que me preparou uma botija de água quente e me trouxe mais um cobertor. Os dias têm sido frios, as noites ainda mais, e eu sentia que estava no pólo norte. O termómetro já marcava 38ºC.

Ok Catarina, esta é uma luta que não podes vencer.

No dia seguinte de manhã liguei para a assistência 24h do meu seguro. A enfermeira do lado de lá não achou muita piada à minha abordagem:

“Então e que medicação é que tomou?”

“Nenhuma”

“Nenhuma? Mas isso não pode ser!”

“É que eu achei que era mais um episódio de endometriose e eles passam por si só”

É claro que levei um raspanete sobre como era importante medicar-me assim que começava a ter febre. Eu até compreendo o argumento, e respeito, mas o corpo é meu e eu não quero enchê-lo de medicação mal sinto um pouco de febre. Quero perceber o que se passa e quero que o meu corpo responda. Por muito louca que seja, a decisão é sempre minha e não gosto que isso seja questionado.

“Quanto é que teve de febre no primeiro dia?”

“37,5ºC.”

Riso insolente: “Isso não é febre.”

“Mas a minha temperatura basal é pouco mais de 35ºC. Estava dois graus acima daquilo que é normal!”

“Como é que sabe a sua temperatura basal?”

“Porque meço todos os dias de manhã.”

“Porquê?”

“Ahm… porque quero conhecer melhor o meu ciclo menstrual.”

“Ah, pois!” risos nervosos “Não me leve a mal ter perguntado!”

Não, ora essa. Apesar do seu tom julgador, tudo bem. Acho que este pessoal médico está demasiado habituado a lidar com pessoas que olham para o seu corpo quase como um objecto externo. Eu, conhecer a minha temperatura basal? Que ideia!? Só gente maluca é que faz isso!

Disse-me que as dores da endometriose deviam-se provavelmente ao facto de o sistema imunitário estar debilitado.

Eu vos declaro: amigdalite e endometriose

A conclusão da conversa foi que dados os sintomas, e visto que tem pus nas amígdalas, a solução seria tomar um antibiótico, por isso enviaram-me um médico a casa. Bastou-lhe olhar dois segundos para a minha goela para decretar que isto era amigdalite.

O antibiótico acabou por funcionar, o antiinflamatório também, mas as dores de barriga ainda vão e vêm. Apesar de pouco ter comido estes dias, a minha barriga parece de quatro meses de gestação. Hoje finalmente consegui tomar um banho e sentir-me gente. Depois, resolvi tirar uma fotografia ao impacto que o estar doente teve na minha barriga:

endobelly

Pobre endometriose, a levar por tabela. Será esta a nossa sina?

Daria Nepriakhina

2 comments

  1. Carregar um corpo com dor e sempre a doer é muito duro. Posso sugerir lhe gengibre e curcuma? Em chá mesmo! Infusão de gengibre e “leite dourado” de curcuma (receita na net). As melhoras e muita paz nesse corpo e na mente

    1. Já me tinham recomendado a curcuma, que me traz um imenso alívio. Consumo-a fresca e em cápsulas naturais. Vou experimentar o chá, desse nunca tinha ouvido falar. Obrigada Helena!

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