O Meu Útero Blog
Copo menstrual

Usei o famoso copo menstrual. Foi isto que achei

Quando encomendei o meu copo menstrual, estava numa excitação tal que fiz um vídeo após utilizá-lo pela primeira vez. Fartei-me de antecipar esse vídeo no instagram. Estava mesmo entusiasmada.

No entanto, quis o universo que esse vídeo acabasse sabe-se lá onde – roubaram-me o computador onde eu tinha o cartão de memória. Parabéns, ladrões. Espero que o vídeo vos seja útil.

Por isso, já percebi que o foco agora não deverão ser os vídeos. Lamento.

Vamos lá então ao que interessa:

 

O que é o copo menstrual?

O copo menstrual é um objecto cónico de silicone que se apresenta como alternativa aos pensos higiénicos e tampões.

É inserido dentro da vagina e pode ser utilizado por 12 horas seguidas, após as quais vertemos para a sanita o nosso sangue menstrual, passamos por água ou limpamos com toalhitas preparadas para o efeito, e voltamos a inserir dentro de nós como se de um tampão se tratasse.

Após o período terminar, fervemos em água numa pequena panela que guardamos apenas para o copo menstrual e colocamo-lo na sua bolsa. No período seguinte, fervemos antes da primeira utilização e o processo é o mesmo do ciclo anterior.

Podemos usar sempre o mesmo copo. Simples assim.

 

Porque é que investi num copo menstrual?

Foram três as razões que me levaram a apostar num copo menstrual:

1. Compensa economicamente

Gastei quase 30 euros no copo menstrual que encomendei e não vou ter de voltar a comprar pensos ou tampões nos próximos dez ou doze anos – quer dizer, considerando que eu tenho ovários poliquísticos, podemos aumentar essa estimativa para o dobro. Até parece mentira.

2. Não contém substâncias nocivas para o organismo

Ao utilizar o copo menstrual, sei que não estou a colocar lixívia, cola, perfume, ou qualquer outro químico no meu corpo e isso, por si só, já me deixa descansada.

Sobretudo no que diz respeito aos disruptores endócrinos. Já chega de confundir o meu corpo com porcarias que imitam o comportamento das hormonas e que só me fazem mal.

3. É ecológico

Diminuir a minha pegada ecológica é uma preocupação que tenho muito presente no meu dia-a-dia e que levo cada vez mais a sério.

A quantidade de pensos e tampões que usamos mensalmente e deitamos para o lixo é assustadora e perfeitamente evitável.

Vamos fazer um exercício de matemática divertido?

 

A x B = X

em que A = número de vezes que menstruas por ano

e B = número de tampões/ pensos que utilizas de cada vez

Depois soma esses números e vê quantos tampões e pensos deitas fora por ano.

Podemos fazer muitas brincadeiras com estes números. Podemos, por exemplo, multiplicar pelo número de mulheres que há no mundo e termos um número aproximado da quantidade de lixo que geramos por ano (vamos dar um desconto pelas que não menstruam, ou menstruam pouco, como eu).

Podemos até pensar no número de absorventes do tipo que já usámos desde que menstruámos pela primeira vez!

 

No meu caso é o seguinte:

8 x 9 = 72 tampões

8 x 2 = 16 pensos higiénicos

Não é que eu seja grande exemplo, porque tenho pouco fluxo e há meses em que não menstruo. Há 14 anos tive a minha primeira menstruação. São 14 anos de 1008 tampões e 224 pensos (não é bem assim porque nos primeiros anos não usava tampão e tinha muito mais fluxo, mas adiante).

Imaginem a quantidade de mulheres no mundo que diariamente faz este lixo quando já não existe necessidade para isso.

Não há justificação para tanto lixo.

Eu não quero fazer parte disso porque é fácil para mim mudar. E foi o que fiz.

Se, aos poucos, todas formos adoptando este hábito, em breve os pensos e tampões nada mais serão do que uma mera e antiquada lembrança do passado – que é onde merecem ficar, bem enterradinhos e quietos.

 

A minha opinião

Pronto – agora que já deixei bem claro que adoro o conceito do copo menstrual, tenho de confessar que nem tudo são rosas. Foi a segunda vez que tentei usar copo menstrual.

A última tinha sido há uns dois anos, antes de me vir o período, e desisti antes mesmo de o experimentar durante a menstruação.

Agora foi diferente. Não abandonei o projecto assim tão facilmente.

Mais uma vez, tentei colocá-lo antes de menstruar para me habituar à sensação. Porque sabia que estaria mais à vontade.

Não achei doloroso, nem achei difícil inseri-lo.

Mas, à semelhança do que tinha acontecido há uns anos, não consegui fazer com que ele se abrisse.

Tentei tudo e mais alguma coisa. Só faltava fazer o pino. Não abria. Não fazia “pop”, como tanta gente na internet dizia que devia fazer.

A diferença é que desta vez, quando menstruei, decidi não dar o braço a torcer e, mesmo sem abrir, coloquei-o e deixei-o ficar para ver no que resultava.

Estranhamente, resultou bastante bem. Quando o retirei, ele saiu todo esmagadinho, mas a menstruação não verteu.

Fiquei agradavelmente surpreendida.

Ou seja, sei que não foi a utilização mais exemplar, mas foi uma experiência positiva.

Não me doeu e não achei tão nojento como temia que pudesse ser.

Usar o copo menstrual traz-nos a uma outra dimensão de relação com o nosso próprio corpo e achei isso muito belo.

Apercebi-me de que não há nada de mau no sangue menstrual.

Parecia um sangue diferente daquele que encontro embebido nos tampões: menos chocante, mais natural.

E o cheiro, não tem nada a ver. Não é aquele odor fétido que sentimos nos tampões e pensos.

Na verdade, não cheira a nada, a não ser aquele cheiro de ferro típico do sangue.

Acredito que eventualmente irei apanhar-lhe o jeito – e, mesmo que não apanhe, o copo está a cumprir a sua função, não havendo razão de queixa.

Usei o copo por três dias; voltei a usar por um dia no ciclo seguinte.

Estava tudo a correr muito bem até que, no quinto dia de utilização do copo, ele virou-se ao contrário dentro de mim (tinha acabado de publicar este artigo!).

Não faço ideia de como é que isto aconteceu: usei o copo durante a noite e lavei-o de manhã, voltando a colocá-lo.

Perto da hora de almoço senti um leve incómodo no canal vaginal e sabia que não era suposto, mas não me preocupei. Mas, agora que penso, provavelmente estava a mover-se.

Durante a tarde, fui à casa de banho e vi que o copo tinha vertido. 

E quando fui alcançar o sacana, que estava difícil de encontrar, ele estava na posição invertida! O aro estava para baixo! Que merda, pensei. Mercúrio está mesmo retrógrado e sem misericórdia para comigo.

Com algum esforço, lá consegui retirá-lo, limpá-lo, e voltei a colocar.

Pesquisei e é algo que acontece, apesar de não ser assim tão comum. Muito estranho e perturbador, para ser sincera. Mas não vou desistir.

Vamos lá ver se a proeza se repete logo à noite.

 

Destreza na utilização do copo pode levar alguns meses, e está tudo bem

É normal que à primeira as mulheres não se sintam tão confortáveis a usar este pequeno engenho. Só com o tempo podemos ir aperfeiçoando a nossa própria técnica.

Acredito que, com o tempo e com a prática, o copo irá eventualmente abrir e executar sem impedimentos a tarefa para a qual foi desenhado.

Além disso, o stress que se gera ao não se conseguir colocá-lo eficazmente não agirá a nosso favor: os músculos ficarão tensos, o canal vaginal secará e o momento poderá tornar-se um pouco traumático.

Dá tempo ao corpo. Põe uma música relaxante, respira fundo, com todo o tempo do mundo. Se não estiveres a conseguir, tenta para a próxima.

 

Algumas mulheres com endometriose (ou outras questões) não conseguem utilizar o copo menstrual

Esta é uma experiência muito própria de cada mulher. Assim como os sintomas variam, também varia a sensibilidade para inserção do copo vaginal em mulheres com endometriose ou adenomiose.

Há mulheres que, por uma variedade de factores, sentem muita dor ao colocar o copo menstrual.

Não é suposto ser doloroso e, se for, não vale a pena insistir.

Mas não se apoquentem: têm sempre a hipótese de se converterem aos pensos ecológicos reutilizáveis.

Estou desejosa de comprar um para mim. Depois venho cá deixar o testemunho!

6 comments

    1. Olá Sara! Que bom! Está a ser o segundo ciclo em que estou a usar (fiz um pequeno edit ao artigo porque aconteceu um contratempo) mas, de resto, estou a gostar!

      É interessante como muda a forma como nos relacionamos com o nosso corpo 🙂 perdemos alguns medos tontos. Pelo menos foi isso que senti. Agora vamos continuando e com o hábito chegamos lá!

      Beijinhos

  1. Boa tarde,
    Tenho muita curiosidade em experimentar o copo menstrual. Tenho algum receio que fique logo cheio porque tenho muito fluxo menstrual. Mas hei-de tentar porque os relatos que tenho visto são muito bons.

    Beijinhos
    Daniela (endoirmã)

    1. Olá Daniela, talvez seja uma questão de o deixares menos tempo. Mas sabes que às vezes o fluxo é menor do que aquele que achamos ser. Ou seja, mesmo sendo considerado fluxo intenso, é capaz de caber no copo em 8h/10h. Por exemplo, no meu caso, fica 1/4 a 1/3 do copo cheio em 12h, o que me parece muito menos do que aquilo que eu via ficar num tampão. Faz-te sentido?

      Se tens curiosidade, experimenta com um pensinho just in case, num dia em que possas estar em casa confortável.

      Acho que podes ter uma boa surpresa.

      Boa sorte!

      beijinhos

  2. Olá gostei do tema tb tenho endometriose, e percebo bem do q fala. Em relação ao copo tenho algumas duvidas relativamente ao tamanho. Sobre o meluna falei com as responsaveis disseram me para comprar shorty devido a ter utero bastante retrovertido. Qual a vossa experiência?

    1. Olá Carla! O copo que comprei é da marca Organicup e eles têm apenas dois tamanhos: um para quem já teve filhos, um para quem nunca teve (que é o tamanho que eu comprei). Acredito que a retroversão do útero possa estar relacionada com o facto de o copo não abrir totalmente. No entanto, não verteu e já o usei nos dias todos dos meus últimos três ciclos. Não senti desconforto pelo tamanho, mas não posso garantir que se aplique o mesmo a ti porque não conheço essa marca e porque, apesar de estar em posição retrovertida, pode ser em maior ou menor grau que o teu. 🙂 Espero ter ajudado. Beijos, Cat

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