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Síndrome dos Ovários Poliquísticos

Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP): o que é e como se trata?

À semelhança de tantas outras doenças referentes ao sistema reprodutor feminino, o Síndrome dos Ovários Poliquísticos é chato e mal compreendido.

Digo isto porque quando descobri que tinha, disseram-me que “há mulheres assim” e mandaram-me tomar a pílula.

No entanto, o cenário não tem de se afigurar tão preocupante assim. Para alguém que não menstruava, acabei por conseguir regularizar os meus ciclos recorrendo ao tratamento natural.

O que é o Síndrome dos Ovários Poliquísticos?

O Síndrome dos Ovários Poliquísticos, ou SOP, consiste no acúmulo de muitos folículos inferiores a 9 milímetros num ou em ambos os ovários. 

Os folículos fazem parte da nossa reserva ovariana (que temos desde que nascemos!) e existem para serem libertos após amadurecerem, um de cada vez, numa base mensal.

A cada mês, um folículo cresce, amadurece, torna-se em óvulo e é libertado pelo ovário para que possa ser fecundado, dando início à fase da ovulação.

Caso a fecundação não ocorra, o óvulo é descartado pelo corpo juntamente com os restantes componentes da menstruação.

Idealmente, as hormonas no nosso corpo funcionam de forma ritmada e regulada. Às vezes isso não acontece, “obrigando” os nossos ovários a fazerem crescer um folículo demasiado rápido: tão rápido, que o folículo não amadurece e não completa o seu natural curso.

Então, o folículo fica preso e, sendo que um óvulo não é libertado, não existe ovulação.

É isto que acontece mensalmente no sistema reprodutor de uma pessoa que tenha SOP, até ao ponto em que o ovário fica “entupido” de folículos.

Para terem uma ideia do resultado, vejam na imagem a comparação entre um ovário de alguém sem SOP e um ovário cheio de folículos:

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No entanto, algumas notas:

  • Uma pessoa pode menstruar tendo SOP.
  • Pode menstruar sem ovular.
  • Pode ovular pontualmente.
  • E pode não menstruar por longos períodos de tempo. Este é, aliás, o sintoma que mais à atenção chama para que se realizem mais exames para se chegar ao diagnóstico.

 

Sintomas

Existem vários sintomas associados ao SOP, que podem ser mais ou menos reconhecidos como tal, consoante o contexto de vida da pessoa.

Sempre tive sintomas mas nunca houve suspeita de SOP porque era normal ter períodos irregulares.

Era normal ficar três meses sem menstruar.

Era normal ter tanta acne (sobretudo nas costas). Tudo isto era normal e expectável para uma adolescente saudável.

Era tão normal que, associado às dores menstruais intensas que sentia (só mais tarde descobri que afinal o que era normal, era afinal endometriose), a solução foi tomar a pílula.

Só descobri que tinha SOP aos 23 anos, depois de deixar a pílula e não menstruar por oito meses.

Segue-se uma lista de sintomas associados ao SOP:

  • hirsutismo (excesso de pêlos onde não seria esperado)
  • excesso de peso
  • acne
  • períodos irregulares
  • ausência de menstruação
  • alterações de humor
  • dores de cabeça
  • insónias
  • apneia do sono (por alguma razão, está relacionada com o SOP)
  • queda excessiva de cabelo
  • fadiga
  • infertilidade

Alguns destes sintomas são parecidos com os sintomas de outras doenças do foro reprodutor feminino: alguns sintomas também são sintomas de endometriose, por exemplo.

Há uma explicação válida para isto: todas estas doenças têm denominadores comuns, como as alterações hormonais decorrentes da inflamação do corpo.

Por isso, estes sintomas têm tudo a ver com alterações a nível do funcionamento das hormonas.

Como se diagnostica?

A melhor forma de se diagnosticar SOP é prestando atenção aos sintomas da pessoa, fazendo análises sanguíneas para aferir os marcadores hormonais e realizando uma ecografia endovaginal para ver os ovários.

Um ovário poliquístico é algo deste género:

Imagem relacionada

Tem tratamento?

Sim, há tratamento para os ovários poliquísticos. O usualmente recomendado é a toma da pílula contraceptiva, para regular as hormonas e para atenuar (ou mesmo eliminar) os sintomas.

Mulheres que queiram engravidar são, geralmente, incentivadas a fazer toma de medicação para provocar a ovulação. Também pode ser indicada a Fertilização In Vitro (apesar de ser possível engravidar-se tendo SOP).

O facto de serem os mais recomendados não significa que sejam estes os únicos tratamentos.

Na verdade, eu decidi deixar de tomar a pílula para iniciar um tratamento natural deste síndrome. Entre outros, é altamente recomendável:

  • prática de exercício físico regular, se possível recorrendo a actividades de extrema intensidade;
  • dieta baixa em hidratos de carbono de alto nível glicémico (massas, arroz, farinhas, bolachas, etc);
  • espaçar as refeições cerca de seis horas, por forma a diminuir a resistência à insulina.

O tratamento que iniciei para o SOP é bastante semelhante ao tratamento natural que faço para a endometriose, que vai muito para além da alimentação e exercício (na altura nem sonhava que podia ter esta doença). A principal diferença era em termos da suplementação, que não era tão elaborada.

De qualquer das formas, este tratamento, como qualquer outro, requer acompanhamento médico: seja um nutricionista, naturopata ou outro profissional de saúde que opte por esta abordagem.

O objectivo é reduzir gradualmente a inflamação no organismo. Não é fácil, exige um esforço grande, mas compensa. Após iniciar o tratamento, tenho menstruado numa base regular, e tenho inclusivamente ovulado com maior frequência.

Por isso, se te foi diagnosticado Síndrome dos Ovários Poliquísticos, nada temas: há luz ao fundo do túnel e, mesmo que optes pela terapêutica hormonal, não te esqueças que fazer mudanças para um estilo de vida mais saudável faz a diferença.

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