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Curcuma e endometriose

A curcuma e os seus efeitos milagrosos nos sintomas da endometriose

A curcuma (açafrão-da-terra no Brasil) é uma raiz relativamente semelhante ao gengibre, que tem um sabor muito interessante e que é utilizada como condimento em vários países asiáticos. Pode ser consumida sob várias formas: fresca, em pó ou em cápsula, por exemplo.

Uma vez que parece um alimento bastante promissor sob vários pontos de vista, o ocidente já tem vindo a prestar mais atenção a esta poderosa raiz.

Os suplementos de curcuma foram dos primeiros suplementos que comecei a tomar para ver se me ajudavam com as cólicas menstruais.

Comecei a fazer uma dosagem diária relativamente elevada, recomendada pelo meu osteopata/fisioterapeuta e notei os resultados uma semana depois, quando menstruei (na altura até fiz um post no instagram a propósito).

Entretanto deixei de lado os suplementos, tendo dado preferência à curcuma em pó ou fresca. Recentemente recomecei a tomá-la diariamente, mas desta feita em chá (mais abaixo explico como). Como tal, achei que estava na altura de investigar mais a fundo e escrever um artigo.

Tratamento natural da endometriose: como minimizar os sintomas

 

Porque é que a curcuma faz tão bem? Por causa da curcumina

A curcumina é um composto da curcuma que tem vindo a ser muito utilizado e analisado quanto ao seu efeito anti-inflamatório e analgésico. Na maioria dos artigos científicos que consultei, é referida como anti-inflamatório e anti-oxidante, tendo sido em alguns referida até como anti-fúngico e anti-viral¹.

O consumo de curcumina apresenta significativo alívio em condições de foro inflamatório, na síndrome metabólica, na artrite, ansiedade e na dislipidermia (que está relacionada com colesterol alto).² Foi também demonstrado que a curcumina tem efeitos anti-inflamatórios em feridas e úlceras gástricas³.

Uma meta-análise a estudos realizados ao efeito da toma de curcumina nos sintomas de artrite demonstra que, apesar de não se ter ainda estudos suficientes para que se possa recomendar a curcuma como tratamento para a artrite, temos já provas substanciais de que a toma de 1000mg de curcuma por dia apresenta-se como um complemento benéfico aos tratamentos convencionais.⁴

 

 

Curcumina e endometriose

A endometriose é uma doença crónica muito comum e pouco conhecida, que acomete 1 em cada 10 pessoas com sistema reprodutor feminino.

É uma doença ainda mal compreendida e pode provocar sintomas variados, muitos deles dolorosos, para os quais a única solução consiste na minimização de sintomas através de várias alternativas: tratamento com progesterona, toma de pílula contraceptiva, medicação, adopção de um estilo de vida saudável e intervenção cirúrgica.

Mesmo assim, a doença pode continuar a desenvolver-se, pelo que é altamente recomendável que se mantenha um olhar atento à evolução da doença, através de visitas regulares a um médico especialista e da realização periódica de exames.

Também podes ter interesse em ler: O meu problema com a pílula

O tratamento de sintomas com medicação indicada para o efeito (como o acetato de gosserrelina, vendido sob o nome Zoladex) pode acarretar efeitos secundários e os riscos que apresentam à saúde são reais e muitas vezes desconhecidos por parte das pessoas que fazem este tratamento.

A partir de testes feitos com ratos, concluiu-se que a curcumina suprime proliferação das células endometriais⁵ e contribui para uma redução das aderências de endometriose⁶  ⁷.

 

Riscos do consumo curcumina

Boas notícias! Todos os artigos que visitei apontam que não existem efeitos adversos causados pelo consumo de curcumina. Mesmo através dos estudos de longa duração realizados, não existem riscos de toxicidade pelo consumo de curcumina.

Ainda assim, cuidado. Não é para começar a comer tigelas de curcuma à colher: a toma de doses elevadas pode levar a efeitos secundários, como náuseas e diarreia.⁴

Para além disso, estudos recentes sugerem que consumo diário exagerado pode interferir na metabolização do ferro, “potencialmente causando uma deficiência em ferro em pacientes susceptíveis”.⁴

Por isso, é tudo uma questão de moderação.

 

Como consumir a curcuma

Para se potenciar os benefícios da curcumina, a curcuma deve ser consumida com pimenta preta, devido à piperina, o maior componente da pimenta preta.⁸

Porque é que é tão importante a pimenta preta?

Porque após a administração de 2g de curcumina a humanos, verificou-se que a presença desta no sangue era indetectável ou significativamente baixa.

Contudo, ao administrar-se simultaneamente 20mg de piperina, as concentrações de curcumina no sangue apresentavam-se muito mais altas nos 12-60 minutos seguintes, atingindo uma biodisponibilidade de 2000%.⁸

Para além de por vezes acrescentar generosamente curcuma aos meus pratos, naqueles dias em que me sinto mais sensível e dorida preparo um chá:

 

Chá simples (quando não tenho leite)

Ingredientes:

Pau de canela, três rodelas de gengibre, uma colher de chá de curcuma, pimenta preta a gosto (se for possível moer no momento, melhor).

Modo de preparação:

Fervo o pau de canela e o gengibre. Quanto mais tempo ferver, mais intenso fica o sabor.

Cerca de cinco minutos após levantar fervura, retiro do lume e acrescento a curcuma e a pimenta. Et voilà!

Por vezes faço bastante quantidade e bebo fresco. O sabor não é maravilhoso, por isso bebo de shot.

 

Chá dourado

Os ingredientes são os mesmos, com a diferença de que acrescento leite vegetal (sem açúcares adicionados, que é como prefiro). Assim, a bebida fica mais saborosa.

Alternativas: substituir a água por leite vegetal ou fazer exactamente como a receita anterior e acrescentar um pouco do leite no final.

Poderão acrescentar mel ou algum tipo de ingrediente adoçante para ficar ainda melhor.

Para quem me lê e sofre com sisntomas de endometriose: se não começaram a consumir curcuma numa base diária, acho que chegou o momento.

Quem já inclui a curcuma na dieta, estejam à vontade para partilhar nos comentários como se têm sentido.


 

 

Artigos consultados

¹Chainani-Wu, N. (2003). Safety and anti-inflammatory activity of curcumin: a component of tumeric (Curcuma longa). The Journal of Alternative & Complementary Medicine, 9(1), 161-168.

²Hewlings, S. J., & Kalman, D. S. (2017). Curcumin: a review of its’ effects on human health. Foods, 6(10), 92.

³Jana, S., Rudra, D. S., Paul, S., & Swarnakar, S. (2012). Curcumin delays endometriosis development by inhibiting MMP-2 activity.

⁴Daily, J. W., Yang, M., & Park, S. (2016). Efficacy of turmeric extracts and curcumin for alleviating the symptoms of joint arthritis: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Journal of medicinal food, 19(8), 717-729.

⁵Zhang, Y., Cao, H., Yu, Z., Peng, H. Y., & Zhang, C. J. (2013). Curcumin inhibits endometriosis endometrial cells by reducing estradiol production. Iranian journal of reproductive medicine, 11(5), 415.

⁶Jana, S., Paul, S., & Swarnakar, S. (2012). Curcumin as anti-endometriotic agent: implication of MMP-3 and intrinsic apoptotic pathway. Biochemical pharmacology, 83(6), 797-804.

⁷Swarnakar, S., & Paul, S. (2009). Curcumin arrests endometriosis by downregulation of matrix metalloproteinase-9 activity.

⁸Shoba₁, G., Joy₁, D., Joseph₁, T., Rajendran₂, M. M. R., & Srinivas₂, P. S. S. R. (1998). Influence of piperine on the pharmacokinetics of curcumin in animals and human volunteers. Planta medica, 64, 353-356.

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