O Meu Útero
Testemunho endometriose

Uma mensagem positiva | Testemunho da B.

O testemunho da B. difere da maioria de testemunhos que venho partilhando: a B. iniciou a luta contra a infertilidade causada pela endometriose nos anos 90, antes mesmo de saber que tinha a doença – passou por muitas adversidades; adversidades pelas quais muitas pessoas que me lêem estão a passar neste preciso momento.

A vida deu muitas voltas, mas concretizou o sonho de ser mãe.

Espero que este testemunho positivo retire o peso de muitos ombros pelo mundo fora.

(Já agora: convido-vos a pagarem-me um café, se acharem que o meu trabalho vale a pena. Podem fazê-lo aqui. O Meu Útero não tem fins lucrativos, o blog não tem publicidade e dedico a este projecto 90% do meu tempo livre. Podem saber mais sobre o meu trabalho e sobre o porquê de me pagarem um café aqui.)

Tive a minha primeira menstruação no dia do meu 12.° aniversário.

Durante 14 anos sofri sempre com dores que toda a gente dizia serem normais, eu achava que não, porque chegavam a ser incapacitantes.

A minha mãe até dava importância, mas os médicos não.

Em 1993, durante o meu primeiro casamento, aos 26 anos, comecei a tentar engravidar mas não consegui. Sinto logo a acusação, a culpa, a dor e o isolamento e o casamento não durou muito mais.

Em 1996, com quase 29 anos, quando casei pela segunda vez, comecei logo a tentar engravidar, com as cunhadas a engravidar e a terem filhos. Entretanto já tinha 2 sobrinhos.

Juntamente com a esperança de um outro casamento, vivi (ou melhor, vivemos) a luta da infertilidade nos anos 90, como tantos outros casais.

[Lê mais sobre endometriose e infertilidade aqui.]

Eu sempre fui reservada na alegria e muito mais ainda na dor.

Lidámos com a perda de pessoas mesmo muito próximas em 1997, 1998 e 1999, o que não nos deixou margem emocional para a luta da infertilidade, mitigada pelo nascimento de mais dois sobrinhos.

Mas no início de 2000, fiz a laparoscopia e veio o diagnóstico – endometriose!

Hã??!!… O que é isso?

“São umas aderências do endométrio(?), que lhe bloqueia uma trompa e como já sabe tem retroversão do útero, os fibromiomas e poucos óvulos.”

[A endometriose trata-se de presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Mais informação útil sobre a doença neste artigo.]

Caiu-me tudo ao chão, não estava preparada, os males eram todos meus!!!

Decidiu-se fazer um tratamento de menopausa, durante seis meses, com o qual me dei muito mal, calores e excesso de peso e em outubro engravidei naturalmente.

Fiquei muito feliz, mas abortei às 8 semanas e foi uma mágoa que ficou para sempre.

Só em 2002 é que senti estar preparada para a luta e comecei a ser seguida em Santa Maria, com a equipa do Dr. Calhaz Jorge, que me fez o derradeiro diagnóstico, hostilidade aos espermatozóides.

Iniciei os tratamentos para a ovulação ainda em 2002, mas não consegui óvulos de qualidade.

Em Janeiro alterei a medicação e precisamente há 16 anos, no dia 3 de Fevereiro de 2003, fiz a minha inseminação artificial porque tinha finalmente um “óvulo lindo” e ENGRAVIDEI!

Desta vez, sem grande expectativa, tive sempre uma gravidez de risco, sofri com os vómitos muito tempo (perdi 15 kg) e estive em repouso algumas semanas para que a bebé não nascesse cedo demais. Estive ao todo internada 89 dias.

Às 36 semanas, tendo eu 36 anos, no início da noite do dia 7 de outubro, às 00h41m comecei a minha nova jornada como MÃE da Raquel, pequenina, dócil e forte!

Hoje é uma menina linda, saudável, inteligente e feliz com a vida, apesar de ter de viver entre duas casas, porque eu e o pai resolvemos não continuar juntos, para podermos continuar amigos e sermos uma família (das modernas, dizem).

Este casamento não foi um fracasso, foi uma vitória assim como a família, muito mais unidos do que muitos que moram juntos.

Desculpe o tamanho do testemunho, mas espero do fundo do coração que traga esperança a mulheres que sofrem como eu sofri.

Tudo de bom para todas e não percam o sorriso!

Beijinhos e força para a Catarina


Se também quiseres partilhar o teu testemunho, terei todo o prazer em publicar!

Basta que o envies para catarina@omeuutero.pt. 

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