O Meu Útero Blog
Testemunho de endometriose

Endometriose: testemunho da Melissa

Recebi um e-mail da Melissa, que quis partilhar o seu testemunho para que outras pessoas que eventualmente estejam a passar pelo que ela passou possam sentir-se menos sozinhas.

A história da Melissa assemelha-se à minha em muitos aspectos: a menstruação apareceu-nos na mesma altura e iniciámos a toma da pílula com mais ou menos a mesma idade, pelas mesmas razões.

Ela deixou a pílula para engravidar; eu deixei a pílula porque comecei a questionar-me se o que sentia antes de a tomar era normal; se as cólicas violentas voltariam; se conseguiria regular o período sem a pílula (também tenho ovários poliquísticos).

Voltando todos os sintomas, ambas suspeitámos da endometriose antes dos nossos médicos e assim acelerámos o processo de diagnóstico.

Ao mesmo tempo, este é mais um testemunho que levanta bandeiras relativamente à prescrição indiscriminada da pílula. (Se quiseres saber mais sobre o problema da pílula na endometriose, lê este artigo)

As cólicas menstruais, assim como outros sintomas associados à endometriose, têm de deixar de ser menosprezadas.

Cólicas menstruais NÃO são normais e devem ser investigadas porque podem ser um sintoma de endometriose. Não quer dizer que sejam sempre, mas podem ser. Acima de tudo, há que perceber porque é que elas acontecem, em vez de simplesmente as silenciar.

De qualquer das formas, quanto mais cedo o diagnóstico, melhor.

(Se quiseres também tu partilhar o teu testemunho, envia-mo para catarina@omeuutero.pt. Se não houver indicação contrária, mantenho anonimato.)

 


Olá Catarina,

O meu nome é Melissa, tenho 29 anos e sou portadora de endometriose. Acho muito importante o trabalho que fazes com o teu blog e gostaria de ajudar relatando a minha história.

A menstruação apareceu quando tinha 11 anos e meio e foi sempre abundante e dolorosa. Como as dores se mantiveram intensas ao longo do tempo, a partir dos 14 anos comecei a fazer ecografias anuais… mudei de médico várias vezes, corri privado e público e a resposta era sempre a mesma “Tome brufen, é normal ter dores, há pessoas que têm mais dores que outras…”

Aos 19 anos iniciei a pílula, as dores aliviaram, e mantive-me durante 9 anos assim.

Em janeiro deste ano, eu e o meu marido decidimos engravidar, fui à médica, fiz exames, deixei a pílula…7 meses depois não havia sinais de gravidez e as dores já eram tão intensas que todos os meses tinha que faltar um ou dois dias ao trabalho.

Voltei à médica e disse-lhe que achava que tinha endometriose, no início mostrou-se apreensiva, mas assim que me começou a observar confirmou o diagnóstico.

Procurei um especialista no assunto, em setembro estava a ter a primeira consulta e o diagnóstico era assustador, endometriose de grau IV, focos nos dois ovários, trompas, ureter, recto, septo recto-vaginal, intestino,…

Fui operada há duas semanas no Hospital da Luz, durante a operação perceberam que a doença estava ainda pior do que tinha sido possível visualizar nos exames, tiraram-me o apêndice, a trompa esquerda e 3 pedaços de intestino, fiquei ainda com focos no diafragma que optaram por não mexer.

A recuperação está a correr bem, o Dr. António Setúbal revelou-se muito mais do que um médico, é um ser humano extraordinário e senti-me acompanhada em todos os momentos.

Percebi durante o processo que a família e amigos que tenho, emanaram tanto amor e cuidado, que teria sido impossível sentir-me sozinha, com medo ou injustiçada por me ter acontecido a mim.

Aguardo a próxima consulta onde começaremos a olhar para o aspecto da fertilidade, e mantenho comigo a esperança de que no meio do mal, as coisas boas acontecem.

Se vos acontecer a vocês, foquem-se no bem, no amor, no que de bom pode advir, nos sonhos para o futuro, nas pessoas que nos querem bem…a dor dói menos assim.

Um beijinho e muita força na luta,

Melissa

 


 

Mais leituras que te podem interessar:

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Adenomiose: o que é e como se diagnostica

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