O Meu Útero Blog
Ovários poliquísticos - Testemunho da S

Testemunho da R.

A R. tinha começado a seguir-me no instagram há pouco tempo e partilhou comigo a sua experiência que, não estando relacionada com endometriose, tem tudo a ver com temas ligados ao útero e a tudo o que significa ser mulher.

Por vezes os nossos caminhos apresentam um pouco mais de atrito e nunca sabemos quem é que poderá estar a ler-nos do lado de lá e a encontrar conforto nas nossas palavras.

Por isso, obrigada R. Obrigada por abrires o teu coração comigo e força na tua jornada.


Não tenho endometriose. Quando era mais nova, tinha muitas dores e fazia inflamações pélvicas sempre que menstruava, mas acabou por passar, com o tempo e também com a pílula. Contudo, no espaço de cerca de um ano (2017) descobri várias coisas em mim.

No final de 2015 eu deixei de tomar a pílula porque sentia que não estava a ganhar nada com ela, pelo contrário. Tudo correu bem até ao verão, em que tinha todos os sintomas da menstruação, mas sem hemorragia aparente.

Andei assim uns três ou quatro meses porque me disseram que podia ser por causa de stress ou alguma desregulação hormonal, que em princípio se resolveria por si só, mas depressa também achei aquilo tudo muito estranho e procurei outro médico.

Ora, só de me ouvir fez logo o diagnóstico, que se confirmou por ecografia: ovários poliquísticos. Ele sabia o meu desejo de engravidar, então fiz um tratamento hormonal para “limpar” e regular o funcionamento dos ovários, e em seguida três ciclos de estimulação hormonal ovárica para tentativa de gravidez o mais natural possível.

Como não resultou, propôs-me fazer uma histerossalpingografia, para perceber se as trompas de Falópio eram permeáveis. Pois, não eram, e estavam ambas obstruídas. Conclusão: “engravidar, apenas com fertilização in vitro”, disse ele, e o meu mundo desabou.

Nunca tinha chorado como naquele dia; o consultório é numa rua movimentada no centro de Lisboa… enquanto estive na consulta, mantive o máximo de calma possível, mas no momento em que pus o pé na rua deixei-me chorar sem me importar com quem me estava a ver, e fui assim de metro até casa, e em casa continuei.

Sentia-me diferente de todas as mulheres, deslocada, anormal até, e além disso, são procedimentos muito caros. Lá me recompus, e, com tempo, conseguimos o dinheiro para investir, com a ajuda das nossas famílias. Só com isso já me sentia mais animada.

Fiz, até agora, três FIV, as três sem sucesso, embora a última tenha indicado a tentativa de nidação pelo beta hcg.

Mas vim a saber de mais um problema que o médico avaliou na última vez que fez a transferência de embriões: o meu útero é em T, que significa que o endométrio não tem espaço suficiente para crescer durante o ciclo e para o embrião fazer a nidação. Sugeriu-me, então, a histeroscopia para correcção das trompas e do útero, que estou a aguardar.

Passei muito mal com isto tudo, como deves calcular. Um dos meus maiores sonhos é ser mãe. Mas agora aceito as coisas como são, e ando a lutar com várias armas para restabelecer a minha saúde, preparar o meu corpo.

Mudei a alimentação, deixei de comer produtos de origem animal, bebo água como deve ser, faço Yoga muito direccionado para estes problemas, passei a ter horários mais fixos para as refeições e para dormir (coisa que não tinha porque o meu trabalho também dificulta este aspecto), ou seja, faço tudo o que me faz sentir melhor, que não faz o meu corpo “queixar-se”.

Há tantas situações “milagre” que acredito que pode acontecer a qualquer uma de nós se não cruzarmos os braços e nos mantivermos numa postura de aceitação dos nossos problemas, porque só assim conseguimos manter a calma necessária para realmente trabalhar connosco. Mesmo a nível emocional, ando a trabalhar muito as feridas e traumas do passado, porque disseram-me que os problemas ginecológicos podem estar relacionados com isso.

A cirurgia é algo que não queria, claro, mas que se tiver de ser, olha, seja, e depois até pode ser que não seja necessária mais nenhuma FIV.

Os ovários agora estão óptimos sem medicação e a menstruação é regular e sem grandes dores, por isso já sinto isto como vitórias.

As trompas, infelizmente, necessitam de outro tipo de exame para perceber se estão na mesma ou não, e para além de caro, doeu-me horrores, por isso vou partir para a cirurgia e esperar que se consiga corrigir o que precisa ser corrigido.

Pronto, é esta a minha história.

Falo contigo porque gosto da maneira como lidas com a tua situação, e deste-me muita força para também seguir em frente com a minha vida e não passar os dias a chorar e a massacrar-me, por mim, pelo meu namorado e pelas nossas famílias, que têm de passar por isto comigo.

Ajudaste-me a ver que a atitude proactiva e de ajuda a mim própria (que eu já estava a ter quando encontrei o teu insta), é mesmo o caminho.

Não me adianta de nada ficar a chorar, tenho é de procurar maneiras de conseguir sentir-me melhor, e o resto virá. Além disso, é bom não nos sentirmos sozinhas neste caminho (embora situações diferentes) que pode ser muito doloroso, tanto física, como emocionalmente.

 

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