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No poo

No-poo: porque é que lavo o cabelo só com água

O no poo é um nome que me faz alguma comichão porque me lembra cocó (tradução de poo em inglês). Mas no fundo é apenas o nome que arranjaram para no-shampoo (sem champô), ou seja, lavar-se o cabelo sem champô. Talvez em Portugal se devesse chamar “sem-pô”.

Consiste em não se usar champô para lavar o cabelo, nunca, recorrendo-se a alternativas: bicarbonato de sódio, vinagre e/ou água.

Parece estranho, eu sei, mas há muita gente que o faz. Cada vez mais gente, na verdade.

Eu sou uma delas.

Mas antes que revirem os olhos e me chamem de maluca, esperem. Há alguns motivos legítimos pelos quais o faço.

 

O meu primeiro contacto com o movimento no poo

Foi numa viagem com amigos, nos tempos idos do Verão de 2016, que ouvi pela primeira vez falar de pessoas que lavavam o cabelo só com água. Descobri esse “movimento” porque um amigo meu, o Chris, era uma dessas pessoas.

Ugh. Que nojo. Pensei.

Ao mesmo tempo, houve algo nessa história toda que me intrigou.

Eu adoro coisas estranhas, sobretudo se houver um motivo para a sua existência, por isso comecei a pesquisar esta coisa de lavar o cabelo só com água.

Vi vídeos no YouTube, li um artigo ou outro, e concluí – nah… isto não é para mim.

Mas ficou sempre uma pontinha de curiosidade.

Um dia, quem sabe…

 

A minha entrada no “movimento”

Dois anos volvidos, e eis que tenho uma doença crónica (que se chama endometriose e não tem tratamento nem cura) cujo tratamento natural de sintomas passa por reduzir o contacto com químicos.

Simultaneamente, preocupo-me cada vez mais com o plástico que uso e com o impacto ambiental da minha higiene diária (para onde é que pensam que vão os químicos todos dos produtos que a vossa pele/o vosso couro cabeludo não absorve?).

A alternativa que encontrei foi apostar em champôs sólidos, naturais, etc e tal. Experimentei um ou outro, e até gostei – mas a minha carteira não estava muito contente com esta alternativa.

Por isso, obrigada empresas que se dedicam a estragar um bocadinho menos este planeta, mas estou fora.

Depois de uma conversa com a minha cabeleireira, que teceu altos elogios ao no poo pelos benefícios visíveis nos cabelos, achei que tinha chegado a altura de experimentar.

Afinal, sou preguiçosa o suficiente para continuar a procurar alternativas naturais e ecológicas; e sou relaxada o suficiente para lidar com as consequências da transição.

Aquilo durante os primeiros dois meses é capaz de ser um bocado insuportável – disse-me ela – porque o cabelo leva algum tempo até se adaptar.

Parece-me bem.

Nada como um bom desafio.

 

no poo funciona com o cabelo oleoso?

Eu sempre tive o cabelo muito oleoso e, por isso, sempre tive de lavar o cabelo todos os dias. Às vezes as pessoas diziam-me que o problema é que eu estava a habituar mal o meu cabelo, e que devia lavá-lo menos.

Não, pessoas. Eu conheço o meu cabelo. Se o lavo menos, vai simplesmente parecer que me caiu um balde de água na cabeça há cinco minutos. A minha questão é sobretudo hormonal.

Para sustentar o meu argumento, posso dizer que durante seis meses em que tomei uma pílula específica por causa da pele acneica, podia ficar tranquilamente por uma semana sem lavar o cabelo.

Por isso, sem estar a tomar pílulas nenhumas, as minhas hormonas fazem com que o meu cabelo produza sebo em excesso.

Há um fenómeno muito engraçado que se passa no nosso cabelo e na nossa pele, se um dia tiverem oportunidade tentem verificar.

Se temos uma pele oleosa, vamos querer aplicar produtos para cortar a oleosidade. No entanto, a pele (assim como o couro cabeludo) trabalha para repor as suas gorduras naturais.

Se ela for tendencialmente oleosa, limpar aprofundadamente esse óleo vai fazer com que ela pense “Oh! Lá tenho eu que produzir mais óleo!” e gera-se ali um ciclo vicioso.

Por isso, as pessoas que me diziam para lavar menos o cabelo estavam de certa forma certas.

No entanto, quando eu lavava, usava champôs de tal forma agressivos (porque precisava de remover a oleosidade) que, à primeira oportunidade, o meu couro cabeludo produzia mais sebo à velocidade da luz.

Isto tudo para dizer que sim, o no poo funciona com cabelo oleoso mas é preciso alguma paciência e determinação.

 

A minha experiência

Decidi deixar o champô em Junho (há dois meses) e estou contentíssima com o resultado.

Nas primeiras duas semanas foi mais complicado, o cabelo ficava demasiado seboso e com uma textura estranha, como se lhe tivesse aplicado doses industriais de cera.

De facto, bastava que tentasse fazer uma crista para ele ficar assim, imóvel.

Após dois meses, isso já não acontece.

O cabelo tem um aspecto muito mais limpo do que inicialmente. Nem sequer parece que não uso champô.

Ter cabelo curto também me dá alguma vantagem, é mais fácil de manter.

Mas não há que desmoralizar, para quem tem curiosidade em experimentar. O que não faltam são testemunhos de mulheres com cabelos longos que lavam o cabelo só com água, como esta mulher que em 2014 não lavava o cabelo com champô há dois anos.

Benefícios do no poo

Os benefícios óbvios do no poo são:

  • é económico
  • é ecológico (não há porcarias a descer pelo ralo da banheira)
  • acaba-se com o uso constante de embalagens de plástico
  • permite reduzir a exposição a disruptores endócrinos, ou seja, a químicos que são prejudiciais para o nosso organismo, nomeadamente em relação ao funcionamento das nossas hormonas

Aparentemente, há outros benefícios associados:

  • menor necessidade de produtos para hidratar e para fixar o cabelo
  • o couro cabeludo torna-se mais saudável e produz a quantidade adequada de sebo

 

 

Riscos do no poo

Não há riscos associados ao no poo, a única coisa que pode correr mal é se se optar por se lavar o cabelo com bicarbonato de sódio. Por ser muito alcalino, pode ser agressivo para o cabelo e secá-lo demasiado, como foi o caso da experiência desta blogger.

Eu decidi lavar única e exclusivamente com água.

Por vezes lavo com vinagre diluído em água: puxa pelo brilho e limpa em maior profundidade.

De resto, apenas dou um toque com o meu sabonete natural na altura em que menstruo, porque nessa fase o meu cabelo torna-se demasiado oleoso.

Além disso, vale o que vale, mas um amigo meu tem que tem cabelo comprido e um couro cabeludo muito sensível e propenso para seborreia, disse-me que o no poo não o ajudou em nada.

 

Dicas para iniciantes

Umas semanas depois de ter deixado o champô, descobri que há dicas para que a transição seja mais gradual. Uma delas é ir lavando o cabelo menos vezes até passar a lavar só com água.

Outra é fazer massagens capilares antes do banho, apenas por um par de minutos, puxando levemente madeixas de cabelo desde o couro cabeludo até às pontas.

Para quem quer meeesmo iniciar-se no no poo mas tem medo do aspecto gorduroso do cabelo, uma alternativa interessante pode ser recorrer a chapéus ou lenços na fase inicial, que é a mais crítica.

A dica principal é permitirem que passe a fase inicial para começarem a ver resultados.

Só me resta desejar sorte a quem se aventure nesta jornada.

Se por acaso experimentarem, deixem aqui a vossa opinião sobre a experiência!

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