O Meu Útero Blog

Experimentei pensos reutilizáveis pela primeira vez

Desde março que uso o copo menstrual e já há muito tempo que estava desejosa de experimentar pensinhos higiénicos reutilizáveis. Finalmente esse dia chegou!

Penso menstrual reutilizável

Porquê usar pensos reutilizáveis?

Antes de mais, deixem que vos diga que, se acham esta ideia demasiado estranha e talvez até nojenta, eu também pensava assim. Há dois anos, tenho a certeza que nunca teria sequer ponderado esta opção.

No entanto, todo o processo de lidar com as doenças que tenho obrigaram-me a repensar muita coisa na minha vida. Li muito, pesquisei, estudei e vi-me obrigada a fazer várias alterações ao meu estilo de vida de forma a contornar os sintomas da endometriose. Algumas destas alterações, como a dieta, foram feitas com o devido acompanhamento médico. Outras surgiram simplesmente da necessidade de mudar algo que eu sentia já não fazer sentido para mim.

Lê também: Endometriose: o que é e como se diagnostica?

1. Menos químicos no meu corpo

Reduzir o contacto com disruptores endócrinos é uma forma de ajudar as nossas hormonas a funcionarem o mais normalmente possível. Desta forma, evitamos colocar no nosso corpo químicos que, uma vez na nossa corrente sanguínea, se vão comportar como se fossem as nossas hormonas, causando estragos (estilo cavalo de tróia, estão a ver?).

Já vos tinha falado aqui dos malefícios comprovados do tampão (e eu durante anos só usava tampões), que se aplicam também aos pensos higiénicos.

 

2. A questão ecológica

Dependendo da intensidade do vosso fluxo, da duração e periodicidade das vossas menstruações, poderão fazer algumas contas para perceberem quanto lixo fazem com os vossos pensinhos e/ou tampões ao longo de um ano. Agora, pensem quanto lixo farão ao longo da vossa vida e multipliquem isso pelo número de mulheres que há no planeta terra hoje (que são 3,73 mil milhões).

Acham que quando deitam fora os pensos e tampões eles desaparecem por magia? Não, eles continuam a ser lixo. Noutro lado qualquer, mas ainda serão lixo.

E o pior é que continuarão a ser lixo depois de todas as pessoas que estão hoje vivas morrerem!

3. Estar em contacto com o meu próprio ciclo

Ok, eu sei que este ponto corre o risco de parecer conversa new age de millennial que procura o sentido da vida e que em breve migrará para uma tribo da Amazónia para experimentar ayahuasca e jurar amor eterno a uma árvore milenar.

Mas vejam a coisa desta forma: nós somos cíclicas. Menstruamos periodicamente, idealmente com pouca variação nos intervalos entre menstruações. Durante o resto do ciclo, o corpo está em constante mudança, influenciando a forma como nos sentimos e a forma como encaramos os outros.

Há inúmeras variações (secreções vaginais, odor corporal, nível de energia, temperatura, etc) que vivenciamos e que, sem calculadora ou calendário, nos dizem como estamos e em que período do ciclo estamos.

O que é que isto tem a ver com usar pensos reutilizáveis?

Bom, embora tenhamos feito enormes progressos, a menstruação continua a ser um tabu, certo? Continuamos a ter alguma vergonha de andar com um penso higiénico na mão até à casa-de-banho do escritório.

Os anúncios de pensinhos higiénicos e tampões proclamam que, se os usarmos, vamos ver-nos livres de todas as sensações que a menstruação nos traz. E apresentam isso como uma coisa boa e desejável! É tudo limpo, é tudo branco, e é tudo um mundo imaginário onde a menstruação não existe.

O problema está aí. A menstruação não é nojenta e não deve ser dolorosa. Ela deve ser encarada com naturalidade, para além de que nos dá a conhecer um pouco da nossa saúde.

A cor, a textura, a intensidade, a presença de coágulos sanguíneos… – tudo isto nos dá pistas sobre a nossa saúde e permite-nos identificar alterações num determinado ciclo. E fazer uso de produtos que não vão alterar a minha menstruação (nem me vão fazer sentir que ela não existe) é a forma que eu tenho de saber como estou.

Eu fui sempre extremamente irregular. Isso, aliado às fortes cólicas menstruais e a uma vida sexual ativa, levou-me a tomar a pílula contracetiva por indicação do meu ginecologista.

Para mim, não havia sequer alternativa: se eu deixasse a pílula, iria sofrer com ausências de período (amenorreia) e com a sensação de estar a parir uma melancia de cada vez que menstruasse (dismenorreia).

Mas a verdade é que houve alternativa. A partir do momento em que comecei a encarar a situação de uma nova perspetiva, tudo o resto veio por arrasto.

Achei que deveria ouvir o meu corpo e trazer soluções para o seu grito, em vez de o continuar a silenciar. Foi neste processo que descobri o motivo dos meus sintomas e foi desta forma que consegui, aos poucos, reduzir as minhas cólicas menstruais (entre outros sintomas) e regularizar a minha menstruação.

 

O que eu achei dos pensos reutilizáveis

Uma vez que me dei muito bem com o copo menstrual (excepto uma pequena desventura da segunda vez que o utilizei), o que me levou a experimentar os pensinhos reutilizáveis foi curiosidade pura.

Eu tenho muito pouco fluxo menstrual e dura-me apenas três dias, por isso escolhi os pensinhos fininhos, para utilizar no dia em que acho que a menstruação vai chegar, e no último dia em que o sangue é mais escasso (em ambos os casos usei o dia inteiro). Gastei 15€ num pack de 3, que me bastou.

 

Maior fluxo

Existem pensos reutilizáveis com muita absorção e em teoria podem ser utilizados para dias com maior fluxo. Eu não sei como é a experiência, mas já troquei ideias com uma amiga que diz tornar-se pouco prático – é que, mesmo que o mantenha por muitas horas, sente que o penso começa a encher e acha-o desagradável.

 

Como lavar?

Os pensos podem ser lavados na máquina com a nossa roupa, mas eu tive de lavar à mão porque não tinha máquina para fazer. Na verdade, não deu trabalho nenhum: passei por água, esfreguei com sabonete e deixei assim durante a noite. No dia seguinte, voltei a lavar para tirar o sabonete, e a mancha de sangue desapareceu por completo!

 

Cheira mal?

Não senti qualquer cheiro, e o mesmo posso dizer do copo menstrual. Se for lá com o nariz, sinto um cheiro de ferro, típico do sangue.

Mas, ao contrário do que se poderia pensar, não se sente um cheiro fétido de menstruação como sentia com pensos normais.

E isto significa que aquele cheiro a podre deve-se não a nós, mas sim ao contacto entre a nossa menstruação e a quantidade absurda de químicos dos pensos e tampões. Ainda por cima, para compor o cocktail, as marcas enchem-nos de mais químicos para atenuar este cheiro nojento!

 

Em conclusão

Amo o copo menstrual e sempre amarei. Gostei da experiência com os pensos mas não irei substituir o uso do copo. Irei, sim, utilizar os pensinhos no primeiro e no último dia da menstruação.

No entanto, para quem tem dor a inserir o copo, ou que por alguma razão não se adapta, esta parece-me a alternativa ideal!

Se já experimentaram, partilhem comigo como correu a vossa experiência!

Já agora, se quiserem espreitem o instagram do meu útero, onde vou deixando ideias e reflexões sobre a forma como lido com a minha menstruação, com a endometriose, com os ovários poliquísticos… e com os meus gatos.

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